
Sejam Benvindos(as)... _______________ Haverá sempre um poema inacabado (Eliane Malpighi)
Para conocer la noche...hay que apagar las
estrellas. (Tomas Castro) ...La poesía es como el viento, 
apedrejando minha memória
nas
claras noites
que você abriu
no escuro do meu peito.

o como el
fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas
secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la
playa..."
(José Hierro)
_______________
Tocando...
Me dejas loco
Tania Alves e Armando Manzanero
clique e conheça
Terra e Mar Músicas
_______________

Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me.
(Clarice Lispector)

Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se.
(Cecilia Meirelles)

Para tua fome
Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro
E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te
persegues.
Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e
sorvetes.
E abriria em mim mesma
Uma nova ferida
Para tua vida.
(Hilda Hilst)
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minhas coisas..._________________

sinto, leio, suspiro...
onde vou...
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Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os
olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas
eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de
pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam
assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das
flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de
malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com
suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas
suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.
(Cecilia Meirelles)
*

Esta noite
Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva
sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os
estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria
de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer
(que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as
esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu
silêncio.
(Maria do Rosário Pereira)
*

Poema do amor-perfeito
Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu
pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e
o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da
insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de
mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre
pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado
direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia,
Amor-Perfeito.
(Cecilia Meirelles)
*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto
da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me
alimente os sonhos de calor?
(Léa Waider)
*

... Como posso viver longe de ti...
Como posso
acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde
não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir
ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te
encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um
momento...
(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel Resende)
*

Modo de amar
Amor como tremor de terra
abalando montanhas e
minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e
sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da
minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais
tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de
cinzas, nem de lama.
(Astrid Cabral)
*

Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te...
Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que
quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a
palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se
queixar que dói.
E sou tua, assim, como nenhuma foi!
(Leonor de Almeida)
*

Como eu não possuo
Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão
ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda
sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem
mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de
êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele
sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em
destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que
estrebucho e não possuo.
(Mario de Sá Carneiro)
*

Dime
Dime por favor donde estás,
en que rincón puedo no verte,
dónde puedo dormir sin recordarte
y dónde recordar sin que me duela.
Dime por favor dónde pueda caminar
sin ver tus huellas,
dónde puedo correr sin recordarte
y dónde descansar con mi tristeza.
Dime por favor cuál es el cielo
que no tiene el calor de tu mirada
y cuál es el sol que tiene luz tan sólo
y no la sensación de que me llamas.
Dime por favor cuál es el rincón
en el que no dejaste tu presencia.
Dime por favor cual es el hueco de mi almohada
que no tiene escondidos tus recuerdos.
Dime por favor cuál es la noche
en que no vendrás para velar mis sueños…
Que no puedo vivir porque te extraño
y no puedo morir porque te quiero.
Jorge Luis Borges
*

Tua mão em mim
Você me acorda no meio da noite
e eu que navegava tão distante
cravada a proa em espumas
desfraldados os sonhos
afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis
a boca ainda salgada mas já amarga
molhada a crina
encharcados os pêlos
na maresia que do meu corpo escorre.
Cravam-se ao fundo os dedos do desejo.
A correnteza arrasta.
Só quando o primeiro sopro escapar
entre os lábios da manhã
levantarei âncora.
Mas será tarde demais.
O sol nascente terá trancado o porto
e estarei prisioneira da vigília.
Marina Colasanti
*

Secretamente
Seus olhos estão perigosamente dentro
de mim
aqui fizeram morada
e estão como Deus
em toda parte
se interpondo
entre a paisagem mais próxima
entre a fresta de luz e a imagem
tangenciando meu olhar
que não sabe olhar puro
que se trai a cada segundo.
Seus olhos estão perigosamente pousados
sobre mim
como borboleta em flor
cobrindo minha pele em ternura
suaves como seda
a farfalhar sobre os poros
e os pelos.
Luzes que incendeiam
em sublime música
meu corpo aceso em sede
Sombras sobre minha noite
embalam meu sono
devassando meus sonhos
onde secretamente me assombram
estando fora e sendo dentro
espelhos de amor intenso
e imenso.
Nossos olhos estão perigosamente
em comunhão
a despeito da separação
que a vida nos impõe.
E nossas vidas
sob risco
entre sermos felizes
ou tristes
e nossos destinos
por um triz
entre sucessos
e desatinos.
Secretamente
espreitamos-nos
como caminhos
à beira
de atraentes abismos.
Virgínia Schall
*

Vem morrer vivendo nos meus braços
Vem morrer vivendo nos meus braços
Preenche com meu colo teus espaços
Do avesso do meu não, faz o teu sim
Vem poetar de amor dentro de mim
Grita o aroma rubro do desejo em flor
Perde teu gosto fulvo desta pele em cor
Pensa nas sombras de gemidos vãos
E faze de meus lábios tuas mãos
Sente meu toque no teu toque exangue
Vive meu gozo em teu próprio sangue
Dá-me teu beijo para que eu afague
Dá-me teus olhos para que eu me afogue
Teu pensamento onde minh'alma cabe
E que meu corpo no teu corpo acabe
Lilia Chaves
*

Venha
toma meu corpo
minha pele, minha alma,
apropria meus sonhos
me bata na cara,
me faça louca, pouca,
santa, besta, tonta
devasta minhas aldeias,
derruba minhas muralhas,
caçoa de meus exércitos,
incendeia minhas casas,
me faça bela, fera,
donzela, megera, cadela
me cuspa no rosto,
me traga desgostos,
me lanha o dorso,
me tira os méritos,
me vista mortalhas
me faça alada, rasgada,
amada, amarga, molhada
e tudo o que quero
é que volte,
logo !
Patricia Antoniete
*

Dobro os joelhos
Quando você me pega... Me amassa, me quebra... Me usa demais...
Perco as rédeas, quando você demora, devora, implora
E sempre por mais...
Eu sou navalha cortando na carne...
Eu sou a boca que a língua invade
Sou o desejo maldito e bendito
Profano e covarde...
Desfaça assim de mim que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça!
Muito me interessa a sua potência... Seu calibre, seu gás...
Sou o encaixe o lacre violado
E tantas pernas por todos os lados
Eu sou o preço cobrado e bem pago
Eu sou um pecado capital...
Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos...
Virar o jogo...
Quero beber, o que dele escorre pela pele
E nunca mais esfriar minha febre...
Isabella Taviani
*

Diário da solidão
I
em meu quarto as aflições se igualam democraticamente.
deito-me sem conseguir reconhecer, entre tantas ausências, o pouco que ainda me resta para sonhar.
minha cama é uma ilha cercada de angústia por todos os lados.
II
desfaço-me com os olhos pregados no teto.
(o sono nunca vem quando preciso).
conto carneiros, penso besteira. e meu corpo, completamente desperto, dói a dor
de quem não encontra uma mão sobre um seio, o sexo duro, uma perna entre as
pernas. meu gemido é quase um lamento.
III
segundo alguns manuais, a solidão é caminho para o auto-conhecimento.
danem-se todos. estar só é desconhecer outro lado vivo de mim.
o espelho, no canto do quarto, anda embaçado de tanto escutar minhas queixas.
não preciso abrir a janela para saber que a lua está cheia.
uivo.
e este uivo é apelo.
mariza lourenço
*

Noite
De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente
Maria Tereza Horta
*

A hora
Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido ás pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
Juana de Ibarbourou
*

A Moça que Mostrava a Coxa
A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não mostrava aquilo
- concha, berilo, esmeralda -
que se entreabre, quatrifólio,
e encerrra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
á visão dos seios claros,
qua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o maximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-d'alva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quando mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...
Carlos Drummond de Andrade
*

Eu quero ser possuída por você,pelo seu corpo,
pela sua proteção, pelo seu sangue.
Me ama!
Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim.
Com sua carne e o seu amor.
Eternamente, infinitamente dentro de mim
me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando...
Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia
e você me abraçou e eu te abracei...
E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo,
Mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos...
A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome,
Da tua mão conduzindo a minha mão,
Do teu corpo revelando o meu corpo,
Como se o mundo fosse pela primeira vez,
Você o meu ponto de referência nessa cidade..."
José Vicente
*

Sólida
Impunha-lhe olhar e corpo. Exigia-lhe corpo e olhar.
O corpo dele indefeso. O corpo dela que o prendia.
As mãos que o percorriam. O olhar que o penetrava. A língua que lhe falava na
língua.
E escorria sólida no corpo dele.
Mordeu-lhe um ombro com força quando ele se moveu.
Agarrou a mão que lhe acariciava as costas. Prendeu-a na sua.
Com a outra mão fechou-lhe os olhos:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorria sólida no corpo dele.
Nos braços dele abriu os braços. Foi abraço nos braços.
Mordeu-lhe lábios e língua. Roubou-lhe ar e gemidos. Sorveu-lhe saliva e sabor.
Foi beijo. Boca na boca.
E escorria sólida no corpo dele.
Abriu-lhe as pernas com as pernas.
O peito colado ao peito. As ancas coladas ás ancas. O sexo colado ao sexo.
Sólida.
Movendo-se. Movendo-o. Tomando-o. Ocupando coxas e sexo.
E escorreu líquida no corpo dele.
Líquida como a saliva que nele deixava rasto.
Beijo corpo que o percorria. Beijo língua que o envolvia.
E a mão aberta no peito dele que lhe dizia:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorreu líquida no corpo dele.
Contornou o desejo sólido nas coxas dele. Evitou o desejo sólido do sexo dele.
Foi beijo e boca nas pernas. Nos músculos tensos. Nos joelhos que antes abrira
com os seus.
A mão soltou o peito que prendia. A boca soltou o corpo que tremia.
Parou.
Sólida ante o corpo dele.
E no espaço que abrira entre as pernas dele, sentou-se.
Olhou o desejo entre as coxas dele. O sexo que a esperava.
O corpo dele que esperava que escorresse líquida nas coxas dele.
Ele abriu os olhos. A surpresa no olhar. A pergunta no olhar. A ansiedade no
corpo.
-Pede, disse-lhe ela.
encandescente
*

Adivinha o quanto gosto de ti
Já pensei dar-te uma flor,
Com um bilhete, mas nem sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim,
Quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Ando a ver se me decido,
Como te vou dizer,
Como heide de contar,
Até já fiz um avião com um papel azul,
Mas voou da minha mão...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Quantas vezes parei à tua porta?
Quantas vezes nem olhaste para mim?
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses,
Quanto é que eu gosto de ti?
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...(AS)
***
Aqui tens a minha sede: fogo e água da tua boca ardendo ...Bernardete Costa
*
"Se me chamas, amor, eu não sei ser pouco intensa, então, deita-te aqui, na rede quente dos poemas que nascem pra ti..." Cissa de Oliveira
*
"Tu nunca bates no meu pensamento à hora de entrar... E quando chegas assim, estremeço até regiões ignoradas..." J.G. de Araujo Jorge
*
"Yo soy la amada, amante, soy la amada: la que en silencio mira. La que te espera. La que teje sus sueños con tu vida." Luzmaría Jiménez Faro
*
"Te amar: é mais que um verbo é a minha lei, e é por ti que o repito no meu canto: te amei, te amava, te amo e te amarei!" J. G. de Araujo Jorge
*
"Sou chama e neve branca e misteriosa... E sou, talvez, na noite voluptuosa, ó meu Poeta, o beijo que procuras!" Florbela Espanca
*
"E quando me escrevias, era tão belo o que me contavas que me despia para ler as tuas cartas. Só nua eu te podia ler." Mia Couto
*
"Que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar?" Carlos Drummond de Andrade
*
"Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele." Victor Hugo
*
"Nesta curva tão terna e lancinante, que vai ser que já é o teu desaparecimento,digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti."
Alexandre O'Neil
*
"Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele..." Maria do Rosário Pedreira
*
"Quantas vezes te digo, quantas vezes... que és para mim o meu homem amado? Que sempre me enlouquece e só aí percebo como estava perdida sem te ter
encontrado..." Maria Teresa Horta
*
"Paixão alisa a pele, rasga a carne, expõe o nervo..." Rosane Coelho de Oliveira
*
"Existe sempre ontem na memória que me enche de sonhos, os teus dedos tocam-me dentro dos sonhos. Nos teus lábios, imagino beijos. perdi-me no mundo." José
Luis Peixoto
*
"Como pegadas marcadas na areia assim ficaram os teus gestos marcados em mim." Encandescente
*
"Extrañas formas tiene el amor. Las galas del deseo se nutren de harapos de desdicha y de frío." Josefa Parra
*
"Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor." José Luis
Peixoto
*
"Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: ''Porque era ele, porque era eu''. Michel de Montaigne
*
"Depois do amor precipitava-me para um espelho, para olhar o meu rosto. Estava tão bonita, tão radiosa então! Amava-me porque me amavas..." Marie-Claire
Pauwels
*
"Confesso que sob carícias de tortura padeço com minha maior loucura: estar junto de ti, sentindo o corpo em chamas a me consumir." Marise Ribeiro
*
"Amo as noites de luar porque são de veludo, delicio-me quando, acaso, sinto, pelos meus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudo em carícias sutis,
rolarem-me os cabelos." Gilka Machado
*
"Esta saudade és tu... é a tua falta viva, em meu corpo, na minha alma, viva...enquanto eu morro no meu pensamento." J. G. de Araujo Jorge
*
"Meu corpo é assim, como um vestido antigo, com duzentos botões... que você deve desabotoar, devagar... com calma... com carinho.. .para não amassar a seda, nem
machucar as dobras..." Maria Teresa Albani
*
"Se o calor me queima não afrouxo as vestes, arranco-as. Se o frio me congela,não me lanço ao fogo, mas à pele." Helen Drumond
*
"Deixa teu corpo ser meu abrigo nas noites em que só ando perdido." Antonio Santos
***
_______________
Meu EU...

"Mesmo que eu caminhe horas e horas...
percorra lugares que nunca estive...
procurando traços de um grande amor...
Dias e dias...
quem sabe até
meses ou anos...
Não vou encontrar um outro alguém que tenha teus lábios...
que tenha teu toque...
e tuas mãos possessivas quando me ama....
Mesmo que eu interrompa meu caminhar e fique esperando...
...eu sei e tenho certeza...
Você é único...
Sabe por que ??
Porque eu te fiz único em mim...
Te amo "
Ana €!¡sa



Onde estou...
...meu EU. sempre sua.

Ninho
Sei sempre quando chegas
Sinto a tua presença no ar
Preparo-me
Chegas e enlaço-te
Prendo-te numa teia
Envolvo-te em fios de prazer
Construo um ninho
Onde te escondo
Te desperto
E me alimento
Encandescente

Coisas Simples
Da¡-me a lua, tira-a do céu
E pousa-a na minha mão.
Dá-me um dia de sol
Quente e brilhante
Oferece-mo quando eu acordar.
Dá-me um rio
Tira-o do leito, muda-lhe o curso
Fá-lo correr à minha porta
E dá-me um rio.
Não te peço que me ames.
Só te peço coisas simples
Um acordar cheio de sol
Um rio à minha porta
Encandescente

Palavras secretas
Queria cobrir-te de letras
Juntá-las
Formar palavras
Construir frases
Escrever um poema
Depois ler-te
Decorar-te
Beijar as letras
Que formaram as palavras
Que se tornaram verso
Que te tornou poema
Arrancá-lo de ti
Absorvê-lo
Esconde-lo
E guardar-te
Poema tesouro
Secretas palavras
Escritas só para mim.
Encandescente

Não basta
Não.
Não basta saber que existes.
É como estar sedenta
E saber que existe água
É como estar faminta
E saber que há pão
É doer, definhar
E saber que existe um bálsamo.
Não.
Não basta saber que existes
É preciso que estejas
Encandescente

Fogo
Ardem-me no corpo as palavras de amor
Quando não ditas
Quando não escritas
Quando não soltas.
Doem-me no corpo as palavras de amor
Fustigam-me a pele
Como gestos dedos
Querendo ser ditas
Querendo ser escritas
Querendo ser soltas.
Queimam-me o corpo as palavras de amor
Que escrevo na página
Que deito na página
Leito de palavras
Onde me incendeio
Onde em fogo ardo
E em fogo queimo
Palavras de amor
Que ardem em mim.
Encandescente


onde estou...

Aula de Amor
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
Bertolt Brecht
devota...
É pra você
O meu leite adocicado
Que como gotas de mel
Adoça sua boca
É pra você
Os meus fartos peitos
De mamilos túrgidos
Quando tua língua
Por ele brinca
É pra você
Minhas carnes
Boca, seios e vulva
Para que possas beber-me sempre
Em leite, saliva e gozo...
Patrícia Di Carlo

Tu me bebes
e eu me converto
na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda
mais despida.
Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser
a minha própria espera
Mas eu deito-me
no teu leito quando apenas
queria dormir em ti,
E sonho-te quando
ansiava ser
um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor:
simples perfume, lembrança
de pétala sem chão
onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há
depois do mar.
Mia Couto
Sedução dos Anjos
Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa e mete -
- Lhe a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar.
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
P'ra que do choque no fim te não caia.
Exorta-o a que agite bem o cu
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido
Desde que entre o céu e a terra flutue -
Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.
Bertolt Brecht


onde estou...
meu EU...

Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.
Maria Teresa Horta
Desperta-me
Traz de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono.
Mia Couto

Invento um cais
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem
medo de naufragar...
Mafalda Veiga
Poder
Tens o poder de trazer ao dia
a música do meu corpo.
a música dos nossos corpos
debruçados um sobre o outro
e sobre as horas,
a cidade,
o vento.
Tens nas tuas mãos fluidas
o poder que mal sabes,
de alterar as marés
que me atravessam.
Silvia Chueire

Para que sejamos necessários
Transfere de ti para mim essa dor
de cabeça, esse desejo, essa violência.
Que careça em ti o meu excesso
e que me falte o que tu tens de sobra.
Que em mim perdure o que te morre cedo
e que te permaneça o que tenho perdido.
Que cresça, se desenvolva um teu sentido
que em mim desapareça.
Dá-me o que de possuir tu não te importas
e eu multiplico o que te falta e em mim existe
para que nosso encaixe forme uma unidade -indivisível-
que não se possa subtrair uma metade.
Bruna Lombardi
***
onde estou...

"Eu desprezo as proporções, as medidas e o tempo do mundo ordinário. Recuso-me a viver no mundo ordinário como as mulheres comuns. Para entrar em relações comuns. Eu quero êxtase. Eu sou uma neurótica - no sentido em que eu vivo no meu mundo. Não vou me adaptar ao mundo. Estou adaptada para mim".
Anais Nin

Dentro
Dentro dos seus grandes olhos lagos
Dentro dos seus grandes lábios logo
Dentro do seu grande peito fogo
Dentro de sua grande alma anjo
Dentro de seu corpo gente
Dentro de mim
Dentro em breve
Dentro em breve
Dentro de mim
Chico Cesar

Um deus entre as coxas
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficastes de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás sem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.
Carlos Drumonnd de Andrade

Me deixa arrepiada
Me deixa arrepiada...
Tua língua na minha fenda,
Tua palavra obscena,
Me deixando toda melada.
Me deixa arrepiada...
Teu sorriso indecente,
Tua voz indolente,
Me deixando desnorteada.
Me deixa arrepiada...
Desnudar-me com perícia,
Prometendo tanta delícia,
Me deixando saciada.
Me deixa arrepiada,
Melada,
Desnorteada,
Saciada...
Claudia Nunes Ribeiro

Soneto de Devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Vinicius de Morais

A fruta que ela tinha entre as pernas
A fruta que ela tinha entre as pernas
Foi prometida por sua dona há dias
Que para tanto usava palavras ternas
E do seu sabor, contava em fatias
Primeiro que ela era forte e suculenta.
Depois que eu não viveria mais sem
Até que um dia, sua dona se senta
Frente a mim, me ajoelha e abre bem
As pernas. Lá a fruta de mim desejosa,
Sem casca, polpuda em sua carne rosa
Exalando um forte cheiro a convidar
Para que se comesse. E de degustar
Tanto e vendo o prazer em oferecê-la,
Sua dona tinha razão. Não vivo mais sem ela.
Francisco Libânio
***

***
onde estou...

Bebe tu de mim
Um desejo imenso
que me tomes nos teus braços
e me arrastes para um canto
onde o vermelho da paixão se confunda
com os contornos do meu rosto.
Arrasta-me até onde o sol se põe
e descobre no cume do meu ventre
todas as delícias que
um dia,
eu guardei só para ti.
Ah! Apenas um desejo me consome.
Um desejo imenso
que arrastes este corpo abandonado que sou
e estendas nele o teu sorriso
até que ele ávido e doce me toque
e tal como a abelha sorve o néctar da flor
bebe tu de mim,
o que em mim resta de um abraço.
Gabriela Moura

Amor sem rede
Fecho os olhos e consigo
lembrar o que fiz contigo:
foi AMOR como não há!...
Mas no meio desta insónia
nua e sem cerimónia
acaricio-me já...
Mas falta-me a tua mão Tereza Machado
os teus lábios, o escaldão
da tua língua macia...
Percorre-me com teu tacto,
põe-me de gatas no acto
que mais libera a magia!
Corre para a minha beira!
Lavra-me! Eu sou a leira
que ressequida reclama...
Vem e faz-me amor sem rede,
Vem e mata minha sede,
à rédea solta, na cama!

Em lascivos turbilhões de pecados
Venha, renda-se a mim,
Ouça e atenda ao meu chamado,
Sinta o meu cheiro,
Pleno de luxuria e desejo
E entregue-se à fúria da paixão.
Não adianta lutar, você não pode negar
O desejo ardente em eu ser.
Não há como se esconder ou fugir,
Você quer me amar, adorar e possuir,
Mesmo sabendo que irá se destruir,
Mas não pode e não quer evitar
Este desejo incontrolável, indomável, de vir
E se entregar, para em meu fogo se consumir.
Por mais medo que você tenha
Nada impedirá que eu venha e lhe possua,
Inclusive você até com isso sonha,
Embora não seja capaz de admitir
Desejar me tocar, me possuir.
Mas eu virei suas fantasias obscuras realizar,
No meio de uma noite escura,
Surpreendendo você em seu leito,
Usando e abusando de seu corpo
Ao meu bel-prazer,
Os seus sonhos de pureza e candura
Transformados em lascivos turbilhões de pecado e luxuria.
E, em troca do seu êxtase, toda a sua energia beberei
Para o meu deleite profano.
Após saciar minha sede, lhe abandono,
Deixando-o a sós com sua dor e pesar,
Delirando e conjeturando se tudo foi mera loucura,
Ou se realmente eu o visitei,
Vampirizando e abusando do seu corpo mortal.
Mas, confesse o quanto você gostou, se deleitou
E se excitou ao desfrutar do prazer carnal
Com uma demônia tão temível e irresistível como eu.
Thaís Andrade
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Meu EU...

...e me tomando devagar,
como o mar avança na praia,
como eu sei que tem que ser
e sei que um dia será.
Claudia Mrczac
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onde estou...

Te envio o mar. O mar rumoroso que trago em mim, um mar de sal e conchas que talham os pés, um mar de areias, poeira, moluscos enterrados. Te envio o mar que trago nas mãos e desfio pérolas em contas de lágrima, alívio, vento no rosto, maresia e iodo, coral. Te envio o mar que trago nos olhos, ardidos, cheios de terra, ondas e espuma, um mar que pode estar perto de ti, ainda que estejas longe dele. Te envio o mar que trago na boca, salitre, sol, palavras fugidias que não escutarias com a rebentação. Te envio o mar que faço em mim.

Que cor tem o tempo, esse tempo dos teus olhos adivinhados, do teu olhar lambendo minhas pernas, pousado em minha pele? Tempo claro em meia luz, da suavidade ávida dos verdes antigos, brilho úmido de retina, eu pequenina nesse espelho d’água. Que cor tem esse tempo dos teus olhos descobertos, do teu olhar em fecundo deserto me enchendo de vida? Tempo fértil de chuva, da torrente forte em rio, cheiro de terra e sementes, eu mulher de abundante colheita. Que cor tem aquele tempo, aquele tempo dos teus olhos envelhecidos, do teu olhar adormecendo no meu, regresso à casa? Tempo turvo de sombra, da delicadeza cálida dos frutos, gosto maduro de gente, eu contente contigo pra sempre.

Ardo pela fome das tuas mãos, pela sofreguidão dos teus gestos, pelo desespero da tua boca a percorrer minhas frestas e reentrâncias. Me desnudo fêmea em gosto, pétala e umidade à espera da invasão da tua carne. Quero a posse lasciva da língua, o ritmo insano do corpo porque em mim há um todo de ti que urge, rebenta, lateja, e uma de mim que quando chegas e me cobres e me preenches e me inundas, transborda em ti.

Preparo os olhos na calma dos dias, nos restos de sol pegados às cores, nos reflexos dos vidros que me reproduzem em pedaços, nos detalhes despercebidos das ruas, uns pássaros nos postes, rostos curiosos, um cão que caça insetos. Alfabetizo meu olhar na claridade das coisas, num vôo leve de folhas, árvores que se inclinam com o vento, a simplicidade nua da manhã, num céu que não está ali e vou fazendo meus olhos para o tempo dos olhos nos teus.

Um sorriso que embaraça as horas e eu penso como é possível amar tanto. Amar sem início, poça d’água, corais e vento, amor que não cabe no tempo, que inventa os dias e atravessa noites dentro do peito em rumor e memória. Ensina meus olhos a cantar cada regresso teu e é de prata que se cobre a cama onde nos deitamos, onde de mim fazes pássaro, torrente, alga, amplitude e pões um sol a arder em minha carne, teu nome em meus lábios, a secreta indecência mais bonita das jóias que achamos um no outro.

Todas as manhãs, antes de abrir os olhos, desenhar teu rosto pela primeira vez. Depois te olhar e me surpreender com a beleza da tua presença. Ouvir os passos na escada e antecipar o abraço, no barulho das chaves na porta. Beijar-te ao sair e saber que voltas dali a poucas horas. Fazer café num ritual bonito e te entregar com um afago na mão. Te observar escrever, incógnita, da porta da sala. Acordar a meio da noite e cobrir tuas costas geladas, encostar-me a ti pra garantir que te aqueces logo. Pedir teu colo. Ganhar teu colo sem pedir. Ficar na cama aos sábados, acordando meu corpo no teu. Provar tua comida. Queimar o feijão e sair pra comer no bar da esquina. Ir ao supermercado e não se separar pra economizar tempo. Deitar junto contigo e dormir no teu peito enquanto lês. Roubar teu livro e ler ao mesmo tempo. Arrumar tuas roupas, cheirar teu armário. Chorar de feliz. Arrumar flores nos vasos, regar as plantas, dividir a vida nas pequenas e mais importantes coisas. Saudades do que está por vir.
Vem depois da noite, do hálito bêbado, dos pequenos insetos cegos, depois da madrugada, dos lençóis desfeitos, da nudez desamparada, depois dos pesadelos, do sapato no caminho, da janela batendo, do copo vazio, do pensamento que volta, depois do suor, do frio, da freada no asfalto, da coberta caída, depois da hora avançada, dos estampidos da rua, do gato no cio, das contas a pagar, vem depois, bem depois, vem me acordar e fazer só pra mim um mundo recém nascido.

Eu repito amor, amor, amor, asas que batem, vôo leve, uma riqueza inesperada que pousa a meio da tarde, um raio de sol que vem habitar minha pele. Me fecundo, rebento no corpo as pétalas, as pétalas dos teus dedos, as folhas, tuas folhas amadurecidas em ouro e ar, umas raízes aquáticas enredadas de rio, fixas pra flutuar. Eu repito amor, amor, amor.
Escritos de Ticcia...

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onde estou...