Sejam Benvindos(as)...


Haverá sempre um poema inacabado
apedrejando minha memória
nas claras noites
que você abriu
no escuro do meu peito.

(Eliane Malpighi)

Para conocer la noche...hay que apagar las estrellas.

(Tomas Castro)

...La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la playa..."

(José Hierro)

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...


Tocando...

Regresa a mi

c/

Tony Braxton

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Terra e Mar Músicas

Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me.

(Clarice Lispector)

Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se.

(Cecilia Meirelles)

Para tua fome

Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro

E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te persegues.

Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.

E abriria em mim mesma
Uma nova ferida

Para tua vida.

(Hilda Hilst)


Meu Award



minhas coisas...

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sinto, leio, suspiro...

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Recordação

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

(Cecilia Meirelles)

*

Esta noite

Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

(Maria do Rosário Pereira)

*

Poema do amor-perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

(Cecilia Meirelles)

*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me alimente os sonhos de calor?

(Léa Waider)

*

... Como posso viver longe de ti...
Como posso acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um momento...

(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel Resende)

*

Modo de amar

Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.

(Astrid Cabral)

*

Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te... Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se queixar que dói.

E sou tua, assim, como nenhuma foi!

(Leonor de Almeida)

*

Como eu não possuo


Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

(Mario de Sá Carneiro)



Azul_luzente

Luz de teu olhar sobre meu corpo.
Água equina que se escapa de cada poro.
Cavalo à solta
Escorro em ti. Como o silêncio no teu porto
Quando o mar se acalma.
Aplacamos o vento da distância.
Flama inocência de quem se ama.
Azul_luzente.
Sinto-te!

 bonecadetrapos

 

Soneto de entrega

Amar é entregar. Tudo te dou.
Não porque tu me pedes porque quero.
Pois te sei livre em mim portanto espero
em ti livre perder-me: aqui estou.
Quero o grito o encanto o mel o vôo
oceano e deserto reverbero
sob o toque das mãos tuas: bolero
só audível a mim quando em ti sou.
Mais que flor ofertada aberta ao falo
sou suor sou galope e contra-canto
o teu corpo no meu corpo abrilhanto
e em mil sóis saberei multiplicá-lo
:
gozo imenso eterniza a cavalgada
e enrubesce de inveja a madrugada.

Marcia Maia

Escrava
 
Teu poema, inclemente, me encarcera,
umedecendo, de gozo, os meus versos.
Espancando, com a pena, as minhas rimas,
se assanha, feito bicho, entre meus seios.
 
Teus dedos em tuas mãos; ágeis tentáculos,
aprisionam de vez minhas vontades,
deixando-me à mercê dos teus domínios,
amarrando-me os pulsos, como escrava.
 
O ar que me vem é da tua boca.
Meus gemidos, quem sufoca é tua língua.
Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos,
me faz louvar - indecente - o teu nome.
 
Em minha barriga, passeia impune, o teu falo.
Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno.
Entre minhas coxas, tu desenhas a tua fúria,
em teu pescoço, cravo dentes de poesia.
 
Mariza Lourenço

Amoras maduras

 Ao sabor das amoras na minha língua maduras
- era talvez o tempo delas – fechei os olhos,
para assim prolongar dentro do meu peito
a memória aconchegada no gosto das bocas.

Como suster o ar – sem respirar? –
Quando bebo a fragrância derramada
Do teu corpo adormecido
Sob os lençóis amarrotados da loucura?

Estou imobilizada – sinto o teu respirar –
Abro lentamente os olhos e perscruto o teu sono.
És terrivelmente belo, qual anjo adormecido.

Os anjos não dormem – nem existem – porque
A loucura cai branda e, alienada, ecoa nos latidos
Noctívagos de um cão à procura de amoras maduras

© Piedade Araújo Sol 

 

***

...meu eu...bjus

 

além do poema

os teus olhos mergulhados
no meu corpo
as tuas mãos imersas
na minha pele
a tua boca líquida
no meu sexo
as tuas palavras gravadas
nos meus seios

tudo tão além do poema

silvia chueire

***

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Coisas de LaLi

Cantinho da Laranja Lima

...Sou LaLi

***



- Postado por: Lali





És

O corpo que me desafia

A percorrer cada milímetro de pele

Sou

A gota que desliza

Te beija

E deseja

E se aloja nos teus sentidos

Fazendo-te meu

© Sutra 2006

*

Não digas ao ouvido
que me amas;
o coração tem escutas
pelas veias
não digas amor
das marés cheias
da longa solidão
que desvanece
ao tocares a boca
que anseias
com sofreguidão
e que fenece
sem a tua boca, a tua mão...
não digas ao ouvido
beija apenas
e as horas nos serão
pequenas
para matar saudades
já sentidas
nesta nossa espera
em tantas vidas
neste eterno desejo
sempre em flor...
mas se acaso
não puderes calar
esse amor que sentes
e lateja
não fales, beija
e seremos dois
num só amor!...

Maria Mamede

*

Quando

Quando me vestir do seu calor febril, contornar o seu corpo moreno com o ápice sensitivo dos dedos tocando suavemente a pele molhada do suor, dos pêlos espalhados à revelia;

Quando me arribar do aperto entre as pernas, erguer os meus olhos à altura dos seus encontrando-os dilatados e fixados à empunhadura; 

Quando me aprumar no seu colo resistente, girar-me ao contrário expondo o meu traseiro ao dispor da sua boca sedenta;

Quando me encharcar da saliva lubrificante, abrigar os seus dedos penetrantes implorando a intensidade da violação desmedida;

Quando me esganiçar dos gemidos emitidos, revigorar as zonas intumescidas confundindo a preenchida, estontear com os rebolados repetidos, esbaldar com o gozo remanescente...

Beatrice Russo

 *

Às vezes tu me habitas como ruídos a uma casa,
como marcas a um rosto que por elas se define
e te lembrar é voltar ao que há de mais meu em mim mesma,
à parte de mim mesma que me revela e me assombra.

Às vezes eu quase te esqueço,

quase te perco
e quase sou completamente triste
e quase sou completamente outra
sem a interrogação onipresente dos teus olhos,
sem a incompreensão cúmplice da tua voz.

Estás em mim e não há nada a fazer,
mesmo a meio da noite,
quando és um vazio cheio de pontas,
mesmo a meio da frase,
quando és um gole de ar no lugar do teu nome.

Tu és meu porque de ti sou feita
e negar-te a mim seria parir-me ao contrário.

Aceito assim meu ofício de habitar-me tu -
ainda que a mim nunca regresses,
mesmo que de mim jamais tenhas partido.

Ticcia

***

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“Dois amantes ditosos não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem,
são eternos como a natureza” Neruda

sua LaLi...meu EU. Bjos

 



- Postado por: Lali





Orquídea

ele quis ser a estufa onde ela floresceria desejo. deu-lhe o tronco, o adubo e a seiva. e cercou-a. ela desabrochou carnívora. entre suas pétalas ele viu-se esvaindo em sêmen e sangue.

Loba

Tirou-me a capa
E escorreu-me sálivas.
Pelo meu corpo
Dedilhou o mapa.
Percebi volúpias vivas
Percorreu caminhos
Até o meu porto.
Em pensamento
Me capta.
Pré-sente os rodamoinhos
Cérebro torto!
Extasia-me
naquele momento

Cherry

Fazer estrelas

Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.

Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.

Nalú Nogueira

***

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Para vc...

  TU CUERPO ESTÁ A MI LADO

  Jaime Sabines

  Tu cuerpo está a mi lado
  fácil, dulce, callado.
  Tu cabeza en mi pecho se arrepiente
  con los ojos cerrados
  y yo te miro y fumo
  y acaricio tu pelo enamorado.
  Esta mortal ternura con que callo
  te está abrazando a ti mientras yo tengo
  inmóviles mis brazos.
  Miro mi cuerpo, el muslo
  en que descansa tu cansancio,
  tu blando seno oculto y apretado
  y el bajo y suave respirar de tu vientre
  sin mis labios.
  Te digo a media voz
  cosas que invento a cada rato
  y me pongo de veras triste y solo
  y te beso como si fueras tu retrato.
  Tú, sin hablar, me miras
  y te aprietas a mí y haces tu llanto
  sin lágrimas, sin ojos, sin espanto.
  Y yo vuelvo a fumar, mientras las cosas
  se ponen a escuchar lo que no hablamos. 



- Postado por: Lali





A tua boca

Ai a tua boca
Que me diz palavras loucas
Roucas abafadas
Entrecortadas de gemidos
Húmida a paixão na tua boca
Que a minha procura e cala
E morde e cola
Palavras minhas ás tuas
Gemidos meus aos teus
E as tuas mãos
Ai as tuas mãos
Impacientes curiosas
Furiosas
Abrem trilhos e caminhos
Rasgam espaços entre os braços
Os meus que se entrecruzam
E lutam e se rendem
E se baixam e retidos
Corpo rendido nas tuas mãos…
E o teu sexo
Que o meu roça e se encosta
E foge nas
minhas pernas
E desce nas
minhas coxas
E subitamente de repente
Me invade me preenche
Me completa
E eu repleta
E na tua boca…
Ai as palavras loucas
Que digo na tua boca
.

Encadescente.

 

 

Te digo amor

Después mire
el movimiento sosegado
de tu cuerpo,
en el aire se mezclaba
el aroma de
todos los arboles de incienso
aun ,entre paredes
y en mi oido
se perseguian los gemidos.

La ternura me despertó
en la calidez de tu abrazo.
Arrulle tus formas
susurre en tu oído,
sin prisa,
lentamente y te hable de lado.

Te hable con amor
y llore, lloré sin razón
por que el amor es llorar
sin ocasión,
ese momento eterno
de acariciar sin tocar,
dé besar sin final.

Amor, te digo
por que en ti me prolongo,
por que muerdes mi alma
y me incendias si me miras
y me volteas las entrañas
y muero y renazco
y soy mas de ti cada dia
¡Amor! te digo
me tocas,
en ti trasciendo infinitos
cuando en tu piel
en tus ojos
me regocijo .

Mentacalida

 

Me quedo en ti
 

Amor, mi amor, cielo mío, resuenan mis besos en tu magnifica playa,
desbordo el amor que me brota rendida sobre
tu lecho que me recibe
amoroso y me acuna tierno, presto, y la soledad huye despavorida ante
tu mirada, ante el fragor de caricias, de piel colmada, gime en un
rincón de olvido y envidiosa nos ve a los lejos, abrazados y en uno
transformados se desintegra al susurro de amores, de dolores, de
esperanzas...

Me besas, me besas y me pierdo en el espejo de tus ojos que me
duplican y me dejan entrar en ti anticipadamente,
mujer inmensa, te envuelvo en mi manto aterciopelado, cedes a mi
petición con tal suavidad que me derrumbas, renazco cada que tu letra
me mira, que tu sed me alcanza, que el hambre que compartimos se
sacia, antropófagos declarados somos...

Tuya soy en declarada armonía, seducida por tu
espejo de Luna, la noche pasa y yo recibo el nuevo día contenta de
saberme en ti refugiada...

Te quiero, me quedo en ti...

 Piel

***

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Para voce...meu Mar

Meus pontos
com teus pontos
Se combinam
e se tateam...
relevos conhecidos
nas pontas dos dedos
Linguagem de amor

Kathleen Lessa



- Postado por: Lali





Corpo adentro

Teu corpo é canoa
em que desço
vida abaixo
morte acima
procurando o naufrágio
me entregando à deriva.

Teu corpo é casulo
de infinitas sedas
onde fio
me afio e enfio
invasor recebido
com licores.

Teu corpo é pele exata para o meu
pena de garça
brilho de romã
aurora boreal
do longo inverno.

Marina Colassanti


 

Tua mão em mim

Você me acorda no meio da noite
e eu que navegava tão distante
cravada a proa em espumas
desfraldados os sonhos
afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis
a boca ainda salgada mas já amarga
molhada a crina
encharcados os pêlos
na maresia que do meu corpo escorre.
Cravam-se ao fundo os dedos do desejo.
A correnteza arrasta.
Só quando o primeiro sopro escapar
entre os lábios da manhã
levantarei âncora.
Mas será tarde demais.
O sol nascente terá trancado o porto
e estarei prisioneira da vigília.

Marina Colassanti

Esta manhã encontrei o teu nome

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Maria do Rosário

 

Um sono imenso, um cansaço enorme, meu corpo deita mas não pousa sem teus braços. Acho que não volto a dormir e ressonar para acordar inteira se não for ao teu lado. Estou aí, dentro do teu peito e agora estou condenada a andar aqui sem alma e sabes que para os que estão sem alma, não há horas de sono que dêem jeito. Sigo branca, lívida, lábios vermelhos porque meu sangue corre aí em tuas veias, não sentes, longe que está do meu próprio coração, se impulsiona distante e eu esfrio o corpo, com teu coração batendo por nós dois enquanto o meu soluça no seco, longe dos líquidos quentes de que nos fazemos juntos. Minhas mãos à procura de ti no vazio vizinho, na amplidão alva impregnada do teu cheiro, entre travesseiros e tudo isso se mistura aos sonhos em que voltam as nossas imagem em flashes, em pedaços, o quarto quase escuro, a luz da madrugada, tuas pernas, os pêlos do teu peito, tua língua rubra, peças de roupa perdidas, teu riso, um leve suspiro e eu acordo com a impressão de que acabaste de te evadir daqui, que em mim restam teus afagos de sonho, a presença efêmera do teu riso, a tua respiração. Adormeço insone, com pena dos meus seios tão longe das tuas mãos.(Ticcia)

***

bjus...vc...


- Postado por: Lali





Tenho-te em tuas umidades, no calor do teu abraço e nas gotas de suor que se espalham pelo teu corpo. Tenho-te em tua pele lisa, teus cabelos colados, teus pêlos grudados, teu visgo, tuas águas, teus caminhos de charcos, os pequenos rios no teu pescoço, o sabor salgado do lóbulo da tua orelha, tua testa brilhante, tuas narinas abertas, tuas pupilas dilatadas. Tenho-te em alta temperatura misturado a mim, confundido em líquidos e sumos, sede e fonte, mar em onda, céu de chuva. Tenho-te emaranhado e deslizante, em vapor e respingos, em poros abertos, em cheiro de bicho, em cio de gente. Tenho-te na língua que colhe o gosto, nos lábios que escorregam, na boca que dança lúbrica por frestas molhadas e se embriaga de essências profundas, de perfumes e cansaços. Tenho-me docemente embebida por ti. (Ticcia)

 

 

 

 

Da Entrega

Maria Branco

Passo-te as mãos no rosto num gesto de ternura intemporal
Os dedos àvidos de trajectos,
Os teus olhos de perguntar encontram os meus
Desenhando-lhes lentos compassos de espera,
Demoradamente lentos,
Devolvo o medo inquieto de que me saibas
Como se fosse possível impedi-los de te beijar
Com a furia de quem ama,
O teu cheiro a entrar no meu corpo.
A ternura a espraiar-se.
Os meus dedos a enrolarem-se nas palavras
Dolorosas do teu silêncio,
Os meus lábios no desejo da comunhão do sentir,
Beijam-te baixinho,
Para que oiças a ternura limpida
Do meu aceitar.
Solto-me de mim, para livre
Me depositar nas tua alma e no
Teu corpo.

No meu olhar a entrega da ternura
A certeza do amanhã...

 

  

Ata-me

Encandescente

Prende-me nas tuas pernas.
Não deixes que nada desate o nó,
Que cruzando-se formarem,
As tuas pernas e as minhas.
Mesmo que eu diga não,
Mesmo que eu te maldiga,
Mesmo que eu te maltrate,
Como se contra vontade
Me tivesses dominado.
Não deixes que se desate
O nó em que me prendeste…
Mesmo que agarrando os teus cabelos
Eu os prenda nos meus dedos
E os puxe e te puxe,
E te morda beijos e boca,
E renegue o teu abraço
Maldizendo os teus braços.
Não deixes que se desate
O nó em que me prendeste…
Revoltar-me-ei no teu corpo
Procurando o meu solto,
Cravarei unhas e mãos
Nos teus braços,
Nas tuas costas,
Mexer-me-ei nas tuas pernas
No esforço de libertar…
Não,
Os braços com que me atas.
Não,
As pernas com que me prendes.
Mas o aperto que sinto no peito,
Mas a urgência que me prende a voz,
E este fogo que me arde no ventre
E se solta
Desatando nós.

 

***

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 ***

 

Para voce...meu Eu...sua...



- Postado por: Lali





Posse intemporal

Manuela Amaral

Fazer amor contigo
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te

É ir buscar-te
ao abismo de milénios de existência
e trazer-te livre.


Nua

Isabel Machado

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...


Fecundação

Gilka Machado

Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.


Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura


Tua mão contém a minha
de momento a momento:
á uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.


Nada me dizes,
porém entra-me a carne a persuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.


Teu olhar abre os braços,
de longe,
ó forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.


Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas.


Fazer estrelas

Nalú Nogueira

Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.


Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.

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...Dime por favor cuál es la noche...en que no vendrás para velar mis sueños…
Que no puedo vivir porque te extraño...y no puedo morir porque te quiero.
(Jorge Luis Borges)

Meu Eu...beijos...LaLi



- Postado por: Lali





 

Envolvida...encantada...
 
Ele entrou em minha vida, assim, sem pedir permissão, se podia ou não, nem perguntou...foi entrando...foi me envolvendo, eu, encantada pelo homem que era e é... fui sendo guardada por ele, para lhe pertencer, na hora exata.
Me fez ao seu gosto e para nosso prazer, entre mãos, bocas, pernas e palavras. Eu, toda rebelde, ele, grosseiro, me enfrentou, me domou, me deu um cio infinito, exige...e agora é meu dono.
O recebo em meu corpo e em minha mente, hora calmo, hora feroz, querendo, rasgando, mordendo, sugando, marcando...
Ahhh...vindo de qualquer maneira, me amansa, aplaca todos meus desejos, agonias e anseios...é o homem que adoro...

amo...

desejo...

LaLi

Dormi contigo toda a noite

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
- pão, vinho, amor e cólera -
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.
Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.
Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca

Pablo Neruda

bjus...EU.

****************

 

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Morrer de Amor

 

Morrer de Amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso.


Maria Teresa Horta

 

Nossa Noite
 
Você já saiu para o trabalho, passeio pela nossa casa, por todos os cantos dela, sinto seu cheiro,  por todos eles, sinto sua presença,  ouço sua voz, seu riso, ouço você chamar meu nome, como faz sempre quando quer alguma coisa ou somente quando me quer ao seu lado.

Parada na sala, olho e vejo que esta tudo em ordem, arrumada, perfeita, nem de longe lembra a noite que tivemos ali à algumas horas...

Eu lia esparramada no sofá e você trabalhava em suas planilhas...às vezes, levantava os olhos e te olhava, olhava o homem que tanto amo e desejo, pressentindo, levantava os olhos e me olhava sorrindo...

Em um desses momentos de ternura, levantou-se, ligou o som e puxou-me para dançar, encostamos nossos corpos e começamos vagarosamente a nos mexer, olhos nos olhos e bocas próximas. Seus braços ao meu redor me apertavam delicadamente, nossas bocas unidas, suas mãos já descendo pelas minhas costas, passeavam em mim...as minhas, pousadas em seu peito...

Enquanto procurava tirar sua camisa, você procurava tirar meu vestido, ficaram no chão, juntos com nossas outras peças logo depois. Continuávamos a dançar, nus e entre beijos, conversávamos, falávamos de nosso amor e do desejo que tínhamos um pelo outro...

Sua pele quente, em contraste com a minha, gelada, nos causava arrepios de prazer, atordoada, beijava seu peito, lambia sua pele e sugava seus mamilos rijos, queria somente seu gosto em minha boca naquele instante, nosso dançar já não seguia o ritmo das músicas que tocavam, seguia o ritmo de nosso tesão, sem pressa, era o ritmo também de nosso amor, de nosso querer, de nossa união.

Deitamos sobre o tapete, agora, um saboreando cada canto do outro, com beijos, línguas, cheiros, bebendo do líquido mágico que escorria de nossos sexos.

Ainda parada, olhando o tapete, vejo perfeitamente quando você abriu minhas pernas, ficou olhando fixamente entre elas e lentamente levantou a mão espalmada passando sobre a minha parte de seu prazer maior, deliciosamente passou toda a mão sobre ela, levou até o rosto e aspirou o cheiro que adora em mim, disse meu nome, rouco, já sem poder adiar, me penetrou, firme e duro, todo meu e aberta, abandonei-me, saí de mim, já não me pertencia mais, gemíamos de prazer, rolávamos ao abandono, ofegávamos e assim juntos, grudados, fomos passear entre as ondas do mar e entre as estrelas do céu.

Te espero agora, em nosso canto, não seria de outra maneira...vem logo, vem..

LaLi

 

 

Tua...bjus Eu.

 

****************

 

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No meu regaço
repousam pétalas
da nossa paixão
Vermelhas
rubras de sangue
Regaço que te deseja
Pele que te beija
E te espera

© Sutra 2006

 

Soltas

Quero soltar o teu fulgor dentro de um baú a que chamo desejo. No teu peito sei que resido na vontade de sobrevoar o meu corpo em ânsias de azul.
Sou o teu dia e a tua noite. Sou. Apenas sou.
Um voo. Um sorriso.
E as pernas abertas do tempo, à espera que tu, momento fugaz, atravesse o portal e me sussurre que o ontem se entrelaça com o amanhã em bebedeiras de vento.
Ser, ter, querer. Eu o baú do tempo. Tu o tesouro do destino.
Sinto-te na foda literária que trocamos como se fôssemos apenas letras soltas que se desfazem sopradas nos sussurros mordidos nas peles suadas de paixão.
Queres-me como te quero.
Desejo-te desfalecido nas entranhas do beijo. Do nosso beijo.

© Sutra 2007

 


Se...

Se eu conseguisse alguma vez identificar o que me fazes sentir.
Se eu pudesse por um só momento saber o que estás a pensar.
Se fosse possível esquecer-me de mim e entregar-me ao que apenas vislumbro, mas que me revolve as emoções e as faz submergir em águas revoltas, espalhando-se nos braços abertos de corais tão belos quanto fatais.
Se me fosse permitido mergulhar contigo nas águas de um oceano sem fim e, de dedos entrelaçados nos teus, presos com algas, deambulasse pelo fundo do mar em busca de tesouros perdidos.
Se as palavras a mais pudessem ser apagadas da memória e não ficassem a calcar sentimentos em constante turbulência, eu sorriria mais uma vez só para ti e, contigo, partiria à descoberta do eu que perdi na última viragem do pensamento.
Se eu soubesse o que se esconde do outro lado do espelho, cravaria nele o punhal da ânsia, partindo-o e desnudando o segredo encoberto.
Se eu não me penalizasse por palavras ditas e não ditas, não segredadas, rasgadas, sentidas, choradas.
Se eu...
Se tu...
Se...

© Sutra 2006

 

Um toque singelo

Só, no meio da Natureza, não resisto a semicerrar os olhos e pensar na forma como me olhas, tocas e deslizas o teu pensamento na concavidade do meu, juntando-se num só em delícias tumultuadas do desejo.
Quase sem me dar conta, os movimentos da minha mão, transportam os dedos numa viagem pelo meu corpo que entrego no esconderijo do teu olhar.
Fazem descair um pedaço de tecido que cobre a pele nua e entreabrir as pernas para a passagem da curiosidade expressa de dedos que finjo serem teus.

Toco-me.
Sinto-me.
Desejo-me.
Desejo-te.
Sinto-te.
Toco-te.

Apenas com o meu pensamento que sei estar em comunhão com o teu, apesar de não estares aqui, mas sim do lado de lá do obstáculo que a minha paixão urge em transpor.

Suspiro.
Ouve-me.
Gemo.
Abraça-me.
Deliro.
Ama-me.

Ficarei aqui, na paz verdejante de um momento único que usufruo.
Espero-te de corpo singelo, boca expectante e braços em repouso, aguardando que te deites entre eles, para te abraçar e sentir em mim, de corpos entrelaçados, entregues à paixão.
E renasceremos assim, um no outro.

© Sutra 2006


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Para você..de sua LaLi...bjus



- Postado por: Lali





 

Deixa-me dormir em ti
Fazer do teu corpo
A minha cama...

Encandescente

Suspenso
 
Sabia que, se se movesse naquele instante.
Se fizesse um movimento. Um movimento
mínimo que fosse, o corpo não resistiria.
Queria o prazer, assim. Suspenso.
Preso entre as pernas.
Preso pela força dos músculos que se contraíam.
Preso entre os dois corpos imóveis. Colados.

- Não te atrevas a fazer um movimento. Disse-lhe.
Ele riu.
Gostava de vê-la quando adiava o instante.
Quando prendia tempo e prazer entre as coxas. Quando corpo e voz lhe diziam para
esperar.

Ele afastou-lhe o cabelo do rosto. Para a ver.
Para lhe ler nos olhos o momento que sabia próximo.
Ela olhou-o. Para o ver.
Para lhe dizer nos olhos do prazer que sentia.

E no instante em que, num movimento imperceptível se deram.
No instante em que se misturaram no prazer liquido que deles correu.
Ele beijou-a e disse-lhe da ternura sólida.
Ela olhou-o e nos olhos dele ficou.


Encandescente

 Sentes
Como te percorro num poema?
Como sílaba a sílaba
Te toco e te quero
Te mordo e desejo
E amando o poema
Te amo e me prendo a ti?
Sentes
Como as palavras se tornam dedos
Mãos, pernas?
E são como carícias que crescem
E tocam a pele
E a preenchem, a enchem
E sobem no corpo, são corpo
Carne e desejo que pulsa em mim?
Sentes
Como os versos se enrolam e se tocam?
Como se entrelaçam e enroscam
E te envolvem e te tocam
E se amam e te amam
E têm cheiros, e são sons
E ganham vida e se soltam
E na boca sabem a mim e a ti?
Sentes
Como é escrever as palavras?
Como é senti-las no corpo
Arrancá-las do corpo
Para tas entregar, para que as sintas
Para que o poema seja teu
E sejamos o poema
E eu seja a palavra
E tu sejas a poesia…
Sentes como te percorro num poema?

Encandescente

Sólida
 

Impunha-lhe olhar e corpo. Exigia-lhe corpo e olhar.
O corpo dele indefeso. O corpo dela que o prendia.
As mãos que o percorriam. O olhar que o penetrava. A língua que lhe falava na
língua.

E escorria sólida no corpo dele.

Mordeu-lhe um ombro com força quando ele se moveu.
Agarrou a mão que lhe acariciava as costas. Prendeu-a na sua.
Com a outra mão fechou-lhe os olhos:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.

E escorria sólida no corpo dele.

Nos braços dele abriu os braços. Foi abraço nos braços.
Mordeu-lhe lábios e língua. Roubou-lhe ar e gemidos. Sorveu-lhe saliva e sabor.
Foi beijo. Boca na boca.

E escorria sólida no corpo dele.

Abriu-lhe as pernas com as pernas.
O peito colado ao peito. As ancas coladas ás ancas. O sexo colado ao sexo.
Sólida.
Movendo-se. Movendo-o. Tomando-o. Ocupando coxas e sexo.

E escorreu líquida no corpo dele.

Líquida como a saliva que nele deixava rasto.
Beijo corpo que o percorria. Beijo língua que o envolvia.
E a mão aberta no peito dele que lhe dizia:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.

E escorreu líquida no corpo dele.

Contornou o desejo sólido nas coxas dele. Evitou o desejo sólido do sexo dele.
Foi beijo e boca nas pernas. Nos músculos tensos. Nos joelhos que antes abrira
com os seus.

A mão soltou o peito que prendia. A boca soltou o corpo que tremia.
Parou.
Sólida ante o corpo dele.

E no espaço que abrira entre as pernas dele, sentou-se.
Olhou o desejo entre as coxas dele. O sexo que a esperava.
O corpo dele que esperava que escorresse líquida nas coxas dele.

Ele abriu os olhos. A surpresa no olhar. A pergunta no olhar. A ansiedade no
corpo.
-Pede, disse-lhe ela.

Encandescente

*****

Cheiro...beijo...de mim para vc meu EU.



- Postado por: Lali





Tenho-te em mim
Tenho-te entre as veias e a minha pele
No reflexo de cor em cada gota de suor
Tenho-te em cada célula
Tenho-te nas ondas do meu corpo
Como marinheiro na praia-mar
Tenho-te em mim
Para mim
Comigo
Sempre

Madalena

Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o imo do cipreste,
És tu que me chamas.
Olhos invisíveis sulcam a sombra, penetram-me como à parede os pregos,
És tu que me fitas.
Mãos invisíveis nos ombros me tocam, para as águas dormentes do lago me atraem,
És tu que me queres.
De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros a loucura sai para o cérebro,
És tu que me penetras.
Não mais os pés pousam na terra, não mais pesa o corpo nos ares, transporta-o a
vertigem
obscura
És tu que me atravessas, tu.

ADA NEGRI

Desperta-me de noite o teu desejo

Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
pois suspeitas
que com ele me visto e me
defendo
É raiva
então ciúme
a tua boca
é dor e não
queixume
a tua espada
é rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
E tomas-me de foça
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse
E queres-me de amor
e dás-me o tempo
a trégua
a entrega
e o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes
Despertas-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

vc sempre...bjus...£å£i



- Postado por: Lali





 

bom dia

 

...abro a porta de nosso quarto

olho seu corpo nu espalhado em nossa cama,

desfeita pelo nosso amor e dormir da noite toda...

tiro a roupa que cobre meu corpo...

devagar e nua volto ao seu lado na cama, sente minha presença...

...levo meus dedos até seus lábios e faço o contorno de sua boca...

sua boca que me leva, transporta, me beija e entre esses beijos, murmura o seu amor, sua loucura por mim...

...de sua boca, meus dedos descem pelo seu corpo nu... corpo que conheço cada canto, cada detalhe...

...olho seu sexo pronto pra mim...pedindo o que eu também quero...

levanto os olhos até seu rosto, que acordado me olha, com aquele olhar...vejo nele o amor, a paixão, o desejo

que sentes por mim, sua mulher, rainha e fêmea...

passo meu dedo em seu sexo latejante e pego a gota, aquela primeira gota...deliciosa...coloco ela em meus lábios...murmuro seu nome,

voce sorri e com esse sorriso lindo de bom dia, cola sua boca na minha, sobe em mim e me cobre toda,

voce é meu macho querido, e me abre, me aperta, penetra forte...

geme e ouve meus gemidos úmidos, como o meu sexo que te recebeu...

suas mãos marcam meu corpo...

ahhh...essa sua intenção de me marcar como sendo sua e que ninguém pode nem sequer olhar...sua posse que adoro...amo ser sua...desejei ser assim todo o tempo, sua...sua...

...grudados assim, nos esfregando, ciciando, gemendo, murmuramos...vamos juntos..vamos...vamos...

agora amor...

hummm...te amo, te quero, te adoro, te gosto...

ahhhhh como te desejo...meu EU.

 

 LaLi

 

 

 

meu homem

 

Lembrar de você, quando distante, é querer sentir o tremor sempre em meu corpo quando me toca e me possue

é querer sentir também esse seu cheiro maresia e de meu cio misturados...

...esse cheiro nosso, de nossos corpos unidos

Lembrar de você é sentir esse desejo intenso um pelo outro

um desejo misturado a uma doçura e um carinho imenso

cheio de toques, palavras, paixão, amor...tesão

Re(nasço) para você toda manhã, por nós...

sei que tem de ser assim e assim é o meu natural,

você, meu homem, me fez assim...

me despertou para esse querer intenso, com todas as fomes, com toda as sensações novas e todas as consumações.

Você...sedutor, gentil, que me tira do sono, me desperta toda, me possui nas madrugadas, nas manhãs, nos dias...

Homem, que me aprisiona em seus abraços, que me faz delirar e delira comigo...

Meu homem, que é meu começo, meu meio e fim...

voce que tira minha roupa, me suga, me agarra no sofá, me encosta na parede, vem por baixo, por cima, aperta meus seios,  me abraça e engole minha boca com a sua

Homem meu... que me penetra, me rasga e explode comigo em gritos e gemidos, vem me possuir, já estou úmida por você...vem..

 

 LaLi

 

vc meu Eu.

 

é bem assim que te quero hoje...

de gosto chocolate...

todo em cor e sabor...

doce...

necessito...preciso...

 



- Postado por: Lali





01

Quando vens mar,
rio.
Quando vens córrego,
sigo.
Se és regato,
canto.
Quando és Atlântico-
ó força espantosa
que escora meu cio,
meus anseios,
orgasmos
e desvarios -
“cresço em maré
quando mergulhas
em mim”.

Maria Limeira

02

Recebo-te de braços abertos
para que me possuas
sobre as rochas
plantadas sob meus pés.

Vens assim,
agitado espumante
pigmentas minh'alma
e sentes meu gosto
de destino

Envolves-me em tuas águas
festejando o encontro ritmado
Dos braços – toques, das pernas – abraços
da pele dos poros – arrepios

Vens, cresço em maré,
ao receber-te em mim
mar, mar atlântico!

Andréa Motta

03

cresce a maré e o vento do mar
corre a linha do rego da areia
grão a grão
no mergulho segredo sabor marinho
verde azul branco sopro espuma
saciando o silêncio desejo
que conserva em si de a possuir
e ela bebe...beija...bebe
a salgada aventura de o sentir

Ísis

04

Na ponta de uma corda
que construo com as flores,
em dança noturna
eu te desenho

e, numa estratégia da água
da alma, te deixo entrar.

Minha pele abre-se em aves,
quando mergulho em ti;

cresces, em maré,
danças comigo o poema

até que as mãos toquem
o chão. E sejam.

E agarrem a vida em forma de areia.

Sónia Regina

05

Espectro de consciência


Pega-me ao de leve no corpo entardecido do sol,
despe-me do laranja e do vermelho
e entorna-te sobre mim,
monocromático.
Sorve, voraz,
os alaridos da minha alma
e guarda-os em teus lábios
em penitência perene.
Apaga esse padrão repetido que me veste de dia
e desenha-me de novo, com traços convexos,
conexos ao desalinho
do tempo.
Figura-me nua
de sentimentos,
subtil
de entendimentos,
e preenche-me com a alvura inocente das gaivotas.
Sopra-me ao vento
e ganharei asas circundantes na altivez do céu,
espectro índigo que desce na bruma branca
das manhãs de Inverno.

Vera Carvalho

***

sempre vai ser vc...não esquece...



- Postado por: Lali





    ...sempre de você meu EU...

Avassaladora
Gonzaguinha
 
Avassaladora senta no seu colo
lambe o pescoço
morde a orelha
enfia a língua
por entre seus dentes
tomando toda a sua boca
ela é louca
muito louca e,
ele adora sua mão
apertando o que deseja
com calor e com carinho
ensinando o caminho da loucura
e acabando com
seu medo de não poder
e o macho se solta
se larga, se acaba na
mão da rainha com todo prazer
e o macho desmonta
num grito de gozo
na mão da rainha
e desmaia
de tanto prazer

**

para você...sempre assim EU...

Cio meu

Aqui quero você, vem...sinta o meu prazer latejar em sua boca, úmida e quente te dou de beber, assim como bebo de você e assim como sinto o gosto de meu macho em agonias, sinta o gosto de sua fêmea no cio e em agonias, esse longo e delicioso cio que cultivamos.
Vem bebe, é sua minha vida, meu êxtase, tudo é seu em mim, me engole, possua, tome para você e me deixe viver dentro de seu corpo, é o que desejo, ficar aí dentro, ser sua em você, assim carregará sempre meu gosto, meu corpo, meu cheiro e esse amor que tenho e vou ter sempre pelo meu homem...

Agora vem mais, vem e entra com seu prazer, com seu sexo, entra e vamos terminar mais um ritual nosso cheio de ais, geme...me ouve também...quero você.

Pausa...estremecidos um no outro, ainda vibrando...temos uma calmaria em meu ciciar por você...

... amor, você tem exatamente 20 minutos, é o que te dou de tempo...depois...ahh...depois...

Lali

Encanta-me

...você chegou agora, a espera terminou e parados nos olhamos, hipnotizados, sentindo a força de todas as emoções, a respiração acelera e assim ja sabemos o que nossos corpos estão a pedir, essas nossas  vontades tão intensas, esse tocar, o beijar, colar, apertar...esfregar...querendo um entrar no outro e perder os sentidos de tanto prazer.
Agora me abraça e beija, beija com toda a sua força, diz que me ama, me faz sua, me dê esse amor em toques e beijos misturados com palavras apaixonadas.
Toca em meu corpo, tira dele música e te darei um som que jamais ouviu...o de sua mulher, que te ama ao extremo, te deseja e te adora.
Olhe ali...aquela fonte em mim, você poderá entrar e sentir esse som melhor, vem...entra, isso...

Veja como brilhamos em explosões, escuta o som...ouve...ele vem de meu corpo... é para você, sempre foi seu, só você ouve, porque me encanta, me ama e me seduz.

...Amo você...e adoro assim..nós...

Lali



- Postado por: Lali