
Sejam Benvindos(as)...
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"Para conocer la noche...hay que apagar las
estrellas." (Tomas
Castro)
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Minhas Visitas...

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Esta noite
Maria do Rosário Pereira
Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva
sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os
estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria
de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer
(que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as
esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu
silêncio.

Poema do amor-perfeito
Cecília Meireles
Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu
pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e
o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da
insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de
mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre
pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado
direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia,
Amor-Perfeito.
Recordação
Cecília Meireles
Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os
olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas
eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de
pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam
assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das
flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de
malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com
suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas
suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.
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Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto
da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me
alimente os sonhos de calor? (Léa Waider)
*
... Como posso viver longe de ti...
Como posso
acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde
não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir
ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te
encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um
momento...(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel
Resende)
*
...La poesía es como el viento,
o como el
fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas
secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la
playa..."(José Hierro)
Modo de amar
Astrid Cabral
Amor como tremor de terra
abalando montanhas e
minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e
sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da
minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais
tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de
cinzas, nem de lama.
*
Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te...
Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que
quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a
palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se
queixar que dói.
E sou tua, assim, como nenhuma foi!
(Caminhos Frios
Leonor de Almeida, 1947,
Portugal)
*
Como eu não possuo
Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão
ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda
sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem
mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de
êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele
sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em
destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que
estrebucho e não possuo.
(Dispersão
Mário de Sá-Carneiro, 1914,
Portugal)
*
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Você derrapa em minhas curvas,
Se perde no brilho dos meus olhos.
Eu quero você corsário a perseguir meus segredos
Você fica a espera do meu chamado,
Eu não quero te chamar, quero ser possuída pelo seu desejo.
As palavras mais uma vez, matam o desejo.Kyra
Vou derreter em sua boca,
Como um bom chocolate.
Posso ser doce,
Meio amargo,
Picante se for com pimenta,
Recheada de surpresas.
Venha sentir minhas delícias,
Me fazer gemer baixinho
E quando estiver saciado de minhas
Várias nuances de sabor
Deixarei em sua lembrança
O gostinho de quero mais!Kyra
Este desconhecido,
Mexeu com minha alma.
Acordou a paixão adormecida,
Acendeu o fogo, que julguei apagado.
Descontrolou o que era controlado.
Inundou-me de quereres,
sonhar com o por do sol.
Quero me desmontar
Entregar-me aos desejos
Despentear seus cabelos
Perder-me em seus braços
Incendiar minha alma
Ser tua.
Kyrauma linda semana para vcs...beijoss


Encarnada
Tânia Lima
Sinto que poderia extrair de minha alma sua essência.
É que alma assim escancarada,
Brilhante feito purpurina
(Dessas que parecem maiores do que seus registros),
Levam a crer que podem ser torcidas
Para que, gota a gota,
Se extraia delas a sabedoria.
É que meu corpo, este pobre coitado,
Está nela contido
(Quando deveria ser o contrário)
E é por ela arrastado,
Levado a seguir sem arbítrio,
A viver a história apaixonada
Pendente, de outras vidas.
Alma autoritária esta minha!
Governa, ordena, fala o que quer,
Se contradiz.
E o meu corpo...
Encantado e subserviente,
Sob o jugo de uma alma essencialmente feliz.
Sim, poderia extrair de minha alma a essência
E vendê-la em pequenos e delicados frascos encarnados:
"Poção de Felicidade".

Luz
Tânia Lima
Deixarei acesa uma pequena chama...
Estará em minha cabeceira
Apenas um tênue brilho...
Simples assim...
Pois que, na escuridão da noite,
Temo não encontres o caminho...
Adormeço assim...
Bruxuleante.
Receosa de que teu espírito
Se perca em outros sonhos
E não me encontre.
Então me cubro com a luz que dança
E invoco sua magia...
Estarás preso a mim nesta madrugada
Como o pavio na vela que fito...
Assim, entre o profano e o divino,
Faço de ti minha crença.
Estremeço...
Banhada de cera quente
A deslizar por meu corpo...
A derreter-me...
Escorrendo em mim
Tua presença.
Adormeço

Plenitude
Tânia Lima
Ando tão repleta de mim!
Quisera dividir com outras pessoas
este esplendor que me habita a alma.
Mas, ao tentar fazê-lo,
O que divido é pouco.
E digo a mim mesma:
"Calma...calma!".
Este coração borbulhante de amor...
O que consigo passar?!
Apenas um carinho meloso e excessivo,
Um arremedo do que me toma o peito.
Quisera deixar transbordar um pouco da ternura,
De toda esta que me sufoca;
Deste destempero de emoções alucinantes;
Deste desvario de arrepios que me percorrem a espinha.
Mas, ao tentar fazê-lo,
O que transborda é um fio d¿água,
Comparado ao caudaloso rio de sentimentos.
Como fazer para despejar de mim esta gigantesca onda de lava,
Esta força que me torna ardente,
Esta labareda que me inflama
E que me atiça inteira?!
Ao tentar fazê-lo,
Uma marola brota de mim
E respinga apenas fagulhas
Do que me queima por dentro.
Quisera sim
Dividir esta plenitude,
Este êxtase de espírito,
Este pedaço de mulher incandescente...
Quisera ter o poder de doar mais
Deste mel que corre em minhas veias.
Então vou me derretendo aos poucos...
Vou espalhando minhas risadas,
Deixando pelo caminho meus conselhos,
Minhas palavras adocicadas,
Minha "melosidade"....
Vou permitindo que enxerguem um pouquinho meu avesso,
Vou tropeçando em meus chamegos,
Deixando vislumbrar esta adolescência retardada...
Vou me doando, transbordando meus cuidados.
E esta plenitude...
Ah...esta, só consigo dividir com meu amado.
***
amo esse blog...é da Tânia Lima..visitem é lindo!!
http://www.aflordapele.blogger.com.br/
beijos e lindo final de semana....


Sempre, de vez em quando
Leila Míccolis
Toda vez que amanheço
de porre, sem ter bebido,
é prenuncio de tempestades.
Os calos não doem
com a mudança do tempo,
mas meu coração dispara
e o olfato fica mais aguçado
que faro de perdigueiro.
Nestas horas,
não adianta ninguém me dizer
que "viver é experimentar",
porque o máximo que eu consigo
é avaliar as avarias
causadas pelos arpões.
Desejo
Stela FonsecaDiante de mim
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.
Aqui me encontrarás
Salette Tavares
Aqui me encontrarás
dormindo-me silêncio
no fumo que os telhados
perfumam de pinheiro,
aqui me encontrarás
e a lua no meu ombro
vermelha do ardor
meu sangue companheiro.
Eco que eu sou
na morte de uma era
aninham os meus braços
outonos de fulgores
e os pássaros da noite
em seus olhos de espera
escutam o arfar
do perfume das cores.
Aqui me encontrarás
floresta de vermelho
segredo de vulcão
zumbindo-me no peito
aqui me encontrarás
quente fornalha de espelho
brasa amarela de vida
sol da cor com que me enfeito.
Minha forma uma montanha
de seios que a lua aquece
meus braços caminhos de água
por toda a serra a descer
recorta-me a tarde morta
perfil que o céu enlouquece
rumor remanso de frágua
brilho lunar a correr.
Prata de frio entornada,
carreiro meu sangue d´albas
esplendor de muro húmido
em leques de fetos verdes
langores de musgo veludo
em sombra de plantas malvas
em ti me sei e me escuto,
em ti me escorro e me bebo.
Aqui me encontrarás tão de longe navegada
afago de ares anjos
no oceano de uma asa
nesta terra em que me mostro
aqui de além coroada
sou água que a chuva traz
à sua primeira casa.
