- Lali...mulher..poema
- Cantinho da Lali
- Estela
- Anjo Sensual
- Alma do Beco
- Chega mais - Dacio
- Dameumtango
- A Babushka
- EROS
- eugeniainthemeadow
- Escondidas na Net
- Ela nua é linda
- Lique
- Proseando com Mariza
_______________

 |
_______________

Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores leva-me os
olhos por dentro de suas pétalas. Eram assim teus cabelos; tuas pestanas
eram assim, finas e curvas. As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta, de talos molhados, de
pólen, de sepulcro e de ressurreição. E as borboletas sem voz dançavam
assim veludosamente. Restitui-te na minha memória, por dentro das
flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix, tua boca de
malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com
suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas
suas nervuras nítidas de folha, - e incompreensíveis, incompreensíveis.
(Cecilia Meirelles)
*

Esta noite
Esta noite o vento ceifa os bosques e uma raiva
sacode a terra. Se a voz do mar chamasse pelas velas, os
estreitos aguardariam um naufrágio. E se dissesses o meu nome eu morreria
de amor. Devo, por isso, afastar-me de ti – não por ter medo de morrer
(que é de já não o ter que tenho medo), mas porque a chuva que devora as
esquinas é a única canção que se ouve esta noite sobre o teu
silêncio.
(Maria do Rosário Pereira)
*

Poema do amor-perfeito
Naquela nuvem, naquela, mando-te meu
pensamento: que Deus se ocupe do vento. Os sonhos foram sonhados, e
o padecimento aceito. E onde estás, Amor-Perfeito? Imensos jardins da
insônia, de um olhar de despedida deram flor por toda a vida. Ai de
mim que sobrevivo sem o coração no peito. E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano que nos meus olhos se aleita, entre
pálpebras de areia... Longe, longe... Deus te guarde sobre o seu lado
direito, como eu te guardava do outro, noite e dia,
Amor-Perfeito.
(Cecilia Meirelles)
*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto
da dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara, me
alimente os sonhos de calor?
(Léa Waider)
*

... Como posso viver longe de ti... Como posso
acender um candeeiro senão para te ver? Como posso fitar uma parede por onde
não perpassa a tua sombra? ... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir
ter contigo? Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te
encontrar? Não, não podia viver longe de ti... Dá-me a tua boca por um
momento...
(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel
Resende)
*

Modo de amar
Amor como tremor de terra abalando montanhas e
minérios nas entranhas da minha carne. Amor como relâmpagos e
sóis inaugurando auroras ou ateando faíscas e incêndios nas trevas da
minha noite. Amor como açudes sangrando ou caudais
tempestades despencando dilúvios. E não me falem de ruínas nem de
cinzas, nem de lama.
(Astrid Cabral)
*

Vem cá! Assim, verticalmente! Achega-te...
Docemente... Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher promessas do que
quero prometer, até à síncope do amor na alma! Colemos as mãos, palma a
palma! A minha boca na tua, sem beijo... Desejo-te até o desejo se
queixar que dói.
E sou tua, assim, como nenhuma foi!
(Leonor de Almeida)
*

Como eu não possuo
Como eu desejo a que ali vai na rua, tão
ágil, tão agreste, tão de amor... Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se eu a tivera um dia, toda
sem véus, a carne estilizada sob o meu corpo arfando transbordada, nem
mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante sobre o seu corpo de
êxtases dourados, se fosse aqueles seios transtornados, se fosse aquele
sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo, e vejo-me em
destroço até vencendo: é que eu teria só, sentindo e sendo aquilo que
estrebucho e não possuo.
(Mario de Sá Carneiro)
*

Dime Dime por favor donde estás, en que rincón puedo no verte, dónde puedo dormir sin recordarte y dónde recordar sin que me duela.
Dime por favor dónde pueda caminar sin ver tus huellas, dónde puedo correr sin recordarte y dónde descansar con mi tristeza.
Dime por favor cuál es el cielo que no tiene el calor de tu mirada y cuál es el sol que tiene luz tan sólo y no la sensación de que me llamas.
Dime por favor cuál es el rincón en el que no dejaste tu presencia. Dime por favor cual es el hueco de mi almohada que no tiene escondidos tus recuerdos.
Dime por favor cuál es la noche en que no vendrás para velar mis sueños… Que no puedo vivir porque te extraño y no puedo morir porque te quiero.
Jorge Luis Borges
*

Tua mão em mim
Você me acorda no meio da noite e eu que navegava tão distante cravada a proa em espumas desfraldados os sonhos afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis a boca ainda salgada mas já amarga molhada a crina encharcados os pêlos na maresia que do meu corpo escorre. Cravam-se ao fundo os dedos do desejo. A correnteza arrasta. Só quando o primeiro sopro escapar entre os lábios da manhã levantarei âncora. Mas será tarde demais. O sol nascente terá trancado o porto e estarei prisioneira da vigília.
Marina Colasanti
*

Secretamente
Seus olhos estão perigosamente dentro de mim aqui fizeram morada e estão como Deus em toda parte se interpondo entre a paisagem mais próxima entre a fresta de luz e a imagem tangenciando meu olhar que não sabe olhar puro que se trai a cada segundo.
Seus olhos estão perigosamente pousados sobre mim como borboleta em flor cobrindo minha pele em ternura suaves como seda a farfalhar sobre os poros e os pelos. Luzes que incendeiam em sublime música meu corpo aceso em sede Sombras sobre minha noite embalam meu sono devassando meus sonhos onde secretamente me assombram estando fora e sendo dentro espelhos de amor intenso e imenso.
Nossos olhos estão perigosamente em comunhão a despeito da separação que a vida nos impõe. E nossas vidas sob risco entre sermos felizes ou tristes e nossos destinos por um triz entre sucessos e desatinos. Secretamente espreitamos-nos como caminhos à beira de atraentes abismos.
Virgínia Schall
*

Vem morrer vivendo nos meus braços Vem morrer vivendo nos meus braços Preenche com meu colo teus espaços Do avesso do meu não, faz o teu sim Vem poetar de amor dentro de mim Grita o aroma rubro do desejo em flor Perde teu gosto fulvo desta pele em cor Pensa nas sombras de gemidos vãos E faze de meus lábios tuas mãos Sente meu toque no teu toque exangue Vive meu gozo em teu próprio sangue Dá-me teu beijo para que eu afague Dá-me teus olhos para que eu me afogue Teu pensamento onde minh'alma cabe E que meu corpo no teu corpo acabe
Lilia Chaves
*

Venha toma meu corpo minha pele, minha alma, apropria meus sonhos
me bata na cara, me faça louca, pouca, santa, besta, tonta
devasta minhas aldeias, derruba minhas muralhas, caçoa de meus exércitos, incendeia minhas casas,
me faça bela, fera, donzela, megera, cadela
me cuspa no rosto, me traga desgostos, me lanha o dorso, me tira os méritos, me vista mortalhas
me faça alada, rasgada, amada, amarga, molhada
e tudo o que quero é que volte, logo !
Patricia Antoniete
*

Dobro os joelhos Quando você me pega... Me amassa, me quebra... Me usa demais... Perco as rédeas, quando você demora, devora, implora E sempre por mais... Eu sou navalha cortando na carne... Eu sou a boca que a língua invade Sou o desejo maldito e bendito Profano e covarde... Desfaça assim de mim que eu gosto e desgosto Me dobro, nem lhe cobro Rapaz! Ordene, não peça! Muito me interessa a sua potência... Seu calibre, seu gás... Sou o encaixe o lacre violado E tantas pernas por todos os lados Eu sou o preço cobrado e bem pago Eu sou um pecado capital... Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo Surpreender seus movimentos... Virar o jogo... Quero beber, o que dele escorre pela pele E nunca mais esfriar minha febre...
Isabella Taviani
*

Diário da solidão
I
em meu quarto as aflições se igualam democraticamente. deito-me sem conseguir reconhecer, entre tantas ausências, o pouco que ainda me resta para sonhar. minha cama é uma ilha cercada de angústia por todos os lados.
II
desfaço-me com os olhos pregados no teto. (o sono nunca vem quando preciso). conto carneiros, penso besteira. e meu corpo, completamente desperto, dói a dor de quem não encontra uma mão sobre um seio, o sexo duro, uma perna entre as pernas. meu gemido é quase um lamento.
III
segundo alguns manuais, a solidão é caminho para o auto-conhecimento. danem-se todos. estar só é desconhecer outro lado vivo de mim. o espelho, no canto do quarto, anda embaçado de tanto escutar minhas queixas. não preciso abrir a janela para saber que a lua está cheia. uivo. e este uivo é apelo.
mariza lourenço
*

Noite
De noite só quero vestido o tecido dos teus dedos e sobre os ombros a franja do final dos cabelos
Sobre os seios quero a marca do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus lábios a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço quero a pressão mais ardente
e da saliva o chicote da tua língua dormente
Maria Tereza Horta
*

A hora
Toma-me agora que ainda é cedo e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso como um sino sacudido ás pressas.
Depois..., iah, eu sei que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo, como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês que a trepadeira crescerá cipreste?
Juana de Ibarbourou
*

A Moça que Mostrava a Coxa
A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo - concha, berilo, esmeralda - que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me mostrava. E torturando-me, e virgem no desvairado recato que sucedia de chofre á visão dos seios claros, qua pulcra rosa preta como que se enovelava, crespa, intata, inacessível, abre-que-fecha-que-foge, e a fêmea, rindo, negava o que eu tanto lhe pedia, o que devia ser dado e mais que dado, comido. Ai, que a moça me matava tornando-me assim a vida esperança consumida no que, sombrio, faiscava. Roçava-lhe a perna. Os dedos descobriam-lhe segredos lentos, curvos, animais, porém o maximo arcano, o todo esquivo, noturno, a tríplice chave de urna, essa a louca sonegava, não me daria nem nada. Antes nunca me acenasse. Viver não tinha propósito, andar perdera o sentido, o tempo não desatava nem vinha a morte render-me ao luzir da estrela-d'alva, que nessa hora já primeira, violento, subia o enjoo de fera presa no Zôo. Como lhe sabia a pele, em seu côncavo e convexo, em seu poro, em seu dourado pêlo de ventre! mas sexo era segredo de Estado. Como a carne lhe sabia a campo frio, orvalhado, onde uma cobra desperta vai traçando seu desenho num frêmito, lado a lado! Mas que perfume teria a gruta invisa? que visgo, que estreitura, que doçume, que linha prístina, pura, me chamava, me fugia? Tudo a bela me ofertava, e que eu beijasse ou mordesse, fizesse sangue: fazia. Mas seu púbis recusava. Na noite acesa, no dia, sua coxa se cerrava. Na praia, na ventania, quando mais eu insistia, sua coxa se apertava. Na mais erma hospedaria fechada por dentro a aldrava, sua coxa se selava, se encerrava, se salvava, e quem disse que eu podia fazer dela minha escrava? De tanto esperar, porfia sem vislumbre de vitória, já seu corpo se delia, já se empana sua glória, já sou diverso daquele que por dentro se rasgava, e não sei agora ao certo se minha sede mais brava era nela que pousava. Outras fontes, outras fomes, outros flancos: vasto mundo, e o esquecimento no fundo. Talvez que a moça hoje em dia... Talvez. O certo é que nunca. E se tanto se furtara com tais fugas e arabescos e tão surda teimosia, por que hoje se abriria? Por que viria ofertar-me quando a noite já vai fria, sua nívea rosa preta nunca por mim visitada, inacessível naveta? Ou nem teria naveta...
Carlos Drummond de Andrade
*

Eu quero ser possuída por você,pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue. Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando... Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia e você me abraçou e eu te abracei... E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo, Mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos... A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome, Da tua mão conduzindo a minha mão, Do teu corpo revelando o meu corpo, Como se o mundo fosse pela primeira vez, Você o meu ponto de referência nessa cidade..."
José Vicente
*

Sólida
Impunha-lhe olhar e corpo. Exigia-lhe corpo e olhar. O corpo dele indefeso. O corpo dela que o prendia. As mãos que o percorriam. O olhar que o penetrava. A língua que lhe falava na língua.
E escorria sólida no corpo dele.
Mordeu-lhe um ombro com força quando ele se moveu. Agarrou a mão que lhe acariciava as costas. Prendeu-a na sua. Com a outra mão fechou-lhe os olhos: - Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorria sólida no corpo dele.
Nos braços dele abriu os braços. Foi abraço nos braços. Mordeu-lhe lábios e língua. Roubou-lhe ar e gemidos. Sorveu-lhe saliva e sabor. Foi beijo. Boca na boca.
E escorria sólida no corpo dele.
Abriu-lhe as pernas com as pernas. O peito colado ao peito. As ancas coladas ás ancas. O sexo colado ao sexo. Sólida. Movendo-se. Movendo-o. Tomando-o. Ocupando coxas e sexo.
E escorreu líquida no corpo dele.
Líquida como a saliva que nele deixava rasto. Beijo corpo que o percorria. Beijo língua que o envolvia. E a mão aberta no peito dele que lhe dizia: - Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorreu líquida no corpo dele.
Contornou o desejo sólido nas coxas dele. Evitou o desejo sólido do sexo dele. Foi beijo e boca nas pernas. Nos músculos tensos. Nos joelhos que antes abrira com os seus.
A mão soltou o peito que prendia. A boca soltou o corpo que tremia. Parou. Sólida ante o corpo dele.
E no espaço que abrira entre as pernas dele, sentou-se. Olhou o desejo entre as coxas dele. O sexo que a esperava. O corpo dele que esperava que escorresse líquida nas coxas dele.
Ele abriu os olhos. A surpresa no olhar. A pergunta no olhar. A ansiedade no corpo. -Pede, disse-lhe ela.
encandescente
*

Adivinha o quanto gosto de ti Já pensei dar-te uma flor, Com um bilhete, mas nem sei o que escrever, Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, Quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti. Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...
Ando a ver se me decido, Como te vou dizer, Como heide de contar, Até já fiz um avião com um papel azul, Mas voou da minha mão...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti. Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...
Quantas vezes parei à tua porta? Quantas vezes nem olhaste para mim? Quantas vezes eu pedi que adivinhasses, Quanto é que eu gosto de ti?
Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...(AS)
_______________
_______________

Modos de Amar, Maria Teresa Horta
Modo de amar – I
Lambe-me as seios desmancha-me a loucura usa-me as coxas devasta-me o umbigo abre-me as pernas põe-nas nos teus ombros e lentamente faz o que te digo:
Modo de amar – II
Por-me-ás de borco, assim inclinada... a nuca a descoberto, o corpo em movimento... a testa a tocar a almofada, que os cabelos afloram, tempo a tempo... Por-me-ás de borco; Digo: ajoelhada... as pernas longas firmadas no lençol... e não há nada, meu amor, já nada, que não façamos como quem consome... (Por-me-ás de borco, assim inclinada... os meus seios pendentes nas tuas mãos fechadas.)
Modo de amar – III
É bom nadar assim em cima do teu corpo enquanto tu mergulhas já dentro do meu Ambos piscinas que a nado atravessamos de costas tu meu amor de bruços eu
Modo de amar – IV
Encostada de costas ao teu peito em leque as pernas abertas o ventre inclinado ambos de pé formando lentos gestos as sombras brandas tombadas no soalho
Modo de amar – V
Docemente amor ainda docemente o tacto é pouco e curvo sob os lábios e se um anel no corpo é saliente digamos que é da pedra em que se rasga Opala enorme e morna tão fremente dália suposta sob o calor da carne lábios cedidos de pétalas dormentes Louca ametista com odores de tarde Avidamente amor com desespero e calma as mãos subindo pela cintura dada aos dedos puros numa aridez de praia que a curvam loucos até ao chão da sala Ferozmente amor com torpidez e raiva as ancas descendo como cabras tão estreitas e duras que desarmam a tepidez das minhas que se abrem E logo os ombros descaem e os cabelos desfalecem as coxas que retomam das tuas o pecado e o vencê-lo em cada movimento em que se domam Suavemente amor agora velozmente os rins suspensos os pulsos e as espáduas o ventre erecto enquanto vai crescendo planta viva entre as minhas nádegas
Modo de amar – VI
Inclina os ombros e deixa que as minhas mãos avancem na branda madeira Na densa madeixa do teu ventre Deixa que te entreabra as pernas docemente
Modo de amar – VII
Secreto o nó na curva do meu espasmo E o cume mais claro dos joelhos que desdobrados jorram dos espelhos ou dos teus ombros os meus: flancos na luz de maio
Modo de amar – VIII
Que macias as pernas na penumbra e as ancas subidas nos dedos que as desviam Entreabro devagar a fenda – o fundo a febre dos meus lábios e a tua língua Vagarosa: toma – morde lambe essa humidade esguia
Modo de amar – IX
Enlaçam as pernas as pernas e as ancas o ar estagnado que se estende no quarto As pernas que se deitam ao comprido sob as pernas E sobre as pernas vencem o gemido Flor nascida no vagar do quarto
Modo de amar – X
A praia da memória a sulcos feita a partir da cintura: a boca os ombros na tua mansa língua que caminha a abrir-me devagar a pouco e pouco Globo onde a sede se eterniza Piscina onde o tempo se desmancha a anca repousada que inclinas as pernas retezadas que levantas E logo são os dentes que limitam mas logo estão os labios que adormentam no quente retomar de uma saliva que me penetra em vácuo até ao ventre o vínculo do vento a vastidão do tempo o vício dos dedos no cabelo E o rigor dos corpos que já esquece na mais lenta maneira de vencê-los
Modo de amar – XI
((Teu) Baixo ventre) Nunca adormece a boca no teu peito a minha boca no teu baixo ventre a beber devagar o que é desfeito
Modo de amar – XII
(Os testículos) Tenho nas mãos teus testículos e a boca já tão perto que deles te sinto o vício num gosto de vinho aberto
Modo de amar – XIII
(As pedras – As pernas) São as pedras meus seios São as pernas pele e brandura no interior dos lábios rosa de leite que sobe devagar na doce pedra do muco dos meus lábios São as pedras meus seios São as pernas Pêssegos nus corpo descascados Saliva acesa que a língua vai cedendo o gozo em cima... na pedra dos meus lábios Jogo do corpo a roçar o tempo que já passado só se de memória, a mão dolente como quem masturba entre os joelhos... uma longa história... Estrada ocupada onde se vislumbra (joelhos desviados na almofada ) assim aberta o fim de que desfruta o fruto do odor o fundo todo do corpo já fechado.
Modo de amar – XIV
(As rosas nos joelhos) São grinaldas de rosas à roda dos joelhos O âmbar dos teus dentes nos sentidos O templo da boca no côncavo do espelho onde o meu corpo espia os teus gemidos É o gomo depois... e em seguida a polpa... o penetrar do dedo... O punho do punhal que na carne enterras docemente como quem adormenta o que é fatal É a urze debaixo e o fogo que acalenta o peixe que desliza no umbigo piscina funda na boca mais sedenta bordada a cuspo na pele do umbigo E se desdigo a febre dos teus olhos logo me entrego à febre do teu ventre que vai vencendo as rosas – os escolhos à roda dos joelhos, docemente.
Modo de amar – XV
(A boca – A rosa) Entreabre-se a boca na saliva da rosa no raso da fenda na fissura das pernas Entreabre-se a rosa na boca que descerra no topo do corpo a rosa entreaberta E prolonga-se a haste a língua na fissura na boca da rosa na caverna das pernas que aí se entre-curva se afunda se perde se entreabre a rosa entre a boca das pétalas

- Postado por: Lali
_________________________________________

Concierto a puertas cerradas Tomás Castro
Con estas manos hechas para ti quiero uno a uno tocar los instrumentos de tu cuerpo al palparte me salen tonos partituras música en fin de todas partes se precisa un golpe de batuta para tocarte sin desafinar estás llena de violines en ti los pájaros ensayan sus últimas canciones en ti debuta una alta fidelidad que termina entre mis dedos haciéndote fraterna amo tus instrumentos cuando me inundas de sonidos cuando tu cuerpo me nombra el músico más grande que nadie se sienta herido – ni bach ni beethoven ni los trompetistas del juicio final – eres un concierto que sólo yo puedo tocar.

Segredos
Vou murmurar-te ao ouvido O que farei com o teu corpo Estendido numa cama à minha mercê. Dir-te-ei como te beijarei os lábios Como te morderei a língua Como te lamberei o pescoço E descerei no teu corpo Até chegar ás tuas coxas. Contar-te-ei num suspiro Como te afastarei as pernas E as tocarei por dentro E me aproximarei devagar Do teu sexo que me aguarda. Desejarás então acelerar o tempo Para que chegue depressa o momento Que a minha voz te segreda Que a minha voz te sussurra. (Encandescente)
 No arame
Equilibro-te na minha boca, Percorro-te, E num equilíbrio precário Tentas não cair e não te esvair Na minha boca Em prazer. Prendo-te com saliva Quando contrais o corpo, Quando arquejante vacilas Quase no limite, Para que não caias Para que não te esvaias Para te manter, assim, No prazer suspenso. Mas quando te sorvo e quando te mordo Quando estico o arame Que é a minha boca Que caminha em ti, Perdes o equilíbrio e num grito rouco Cais nas minhas mãos, Rede que construí Rede que teci Para aparar a queda e te segurar Para te guardar e reter em mim. (Encandescente)
 Elementos
És vento que agita o meu corpo Quando o fazes ondular Me encrespas a pele A marcas e te assinalas Em rugas de prazer. És fogo que progride Quando me abraças e abrasas Me incendeias E me tornas labareda Brasa incandescente, fogueira a arder. És água quando o suor brota E as gotas se tornam mar E me molham e te molham E nos colam um no outro Água prazer que sai de dentro Mas que não apaga o fogo Que tu, Labareda que se espalha com o vento Acendeste na minha pele. E eu sou terra Que queimas e assolas Que varres e devastas E depois Tu rio, nela desaguas Semeias, fazes renascer. (Encandescente)
....beijos...LaLi
- Postado por: Lali
_________________________________________
| | |