Haverá sempre um poema inacabado
apedrejando minha memória
nas claras noites
que você abriu
no escuro do meu peito.

(Eliane Malpighi)

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Sejam Bem-vindos(as)...

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<BGSOUND SRC="http://www.sonatainblue.com.br/sound/Tony_Braxton_-_Spanish_Guitar.mid">

o que toca...

Spanish Guitar

Tony Braxton

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Para conocer la noche...hay que apagar las estrellas.

(Tomas Castro)

...La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la playa..."

(José Hierro)

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Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me.

(Clarice Lispector)

Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se.

(Cecilia Meirelles)

Para tua fome

Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro

E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te persegues.

Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.

E abriria em mim mesma
Uma nova ferida

Para tua vida.

(Hilda Hilst)


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minhas coisas...

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- Cantinho da Lali
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- Alma do Beco
- Chega mais - Dacio
- Dameumtango
- EROS
- Ela nua é linda
- Lique
- Proseando com Mariza

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eXTReMe Tracker

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Recordação

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

(Cecilia Meirelles)

*

Esta noite

Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

(Maria do Rosário Pereira)

*

Poema do amor-perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

(Cecilia Meirelles)

*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me alimente os sonhos de calor?

(Léa Waider)

*

... Como posso viver longe de ti...
Como posso acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um momento...

(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel Resende)

*

Modo de amar

Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.

(Astrid Cabral)

*

Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te... Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se queixar que dói.

E sou tua, assim, como nenhuma foi!

(Leonor de Almeida)

*

Como eu não possuo


Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

(Mario de Sá Carneiro)

*

Dime
 
Dime por favor donde estás,
en que rincón puedo no verte,
dónde puedo dormir sin recordarte
y dónde recordar sin que me duela.

Dime por favor dónde pueda caminar
sin ver tus huellas,
dónde puedo correr sin recordarte
y dónde descansar con mi tristeza.

Dime por favor cuál es el cielo
que no tiene el calor de tu mirada
y cuál es el sol que tiene luz tan sólo
y no la sensación de que me llamas.

Dime por favor cuál es el rincón
en el que no dejaste tu presencia.
Dime por favor cual es el hueco de mi almohada
que no tiene escondidos tus recuerdos.

Dime por favor cuál es la noche
en que no vendrás para velar mis sueños…
Que no puedo vivir porque te extraño
y no puedo morir porque te quiero.

Jorge Luis Borges

*

Tua mão em mim

Você me acorda no meio da noite
e eu que navegava tão distante
cravada a proa em espumas
desfraldados os sonhos
afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis
a boca ainda salgada mas já amarga
molhada a crina
encharcados os pêlos
na maresia que do meu corpo escorre.
Cravam-se ao fundo os dedos do desejo.
A correnteza arrasta.
Só quando o primeiro sopro escapar
entre os lábios da manhã
levantarei âncora.
Mas será tarde demais.
O sol nascente terá trancado o porto
e estarei prisioneira da vigília.

Marina Colasanti

*

Secretamente

Seus olhos estão perigosamente dentro
de mim
aqui fizeram morada
e estão como Deus
em toda parte
se interpondo
entre a paisagem mais próxima
entre a fresta de luz e a imagem
tangenciando meu olhar
que não sabe olhar puro
que se trai a cada segundo.

Seus olhos estão perigosamente pousados
sobre mim
como borboleta em flor
cobrindo minha pele em ternura
suaves como seda
a farfalhar sobre os poros
e os pelos.
Luzes que incendeiam
em sublime música
meu corpo aceso em sede
Sombras sobre minha noite
embalam meu sono
devassando meus sonhos
onde secretamente me assombram
estando fora e sendo dentro
espelhos de amor intenso
e imenso.

Nossos olhos estão perigosamente
em comunhão
a despeito da separação
que a vida nos impõe.
E nossas vidas
sob risco
entre sermos felizes
ou tristes
e nossos destinos
por um triz
entre sucessos
e desatinos.
Secretamente
espreitamos-nos
como caminhos
à beira
de atraentes abismos.

Virgínia Schall

*

Vem morrer vivendo nos meus braços
    
Vem morrer vivendo nos meus braços
Preenche com meu colo teus espaços
Do avesso do meu não, faz o teu sim
Vem poetar de amor dentro de mim
Grita o aroma rubro do desejo em flor
Perde teu gosto fulvo desta pele em cor
Pensa nas sombras de gemidos vãos
E faze de meus lábios tuas mãos
Sente meu toque no teu toque exangue
Vive meu gozo em teu próprio sangue
Dá-me teu beijo para que eu afague
Dá-me teus olhos para que eu me afogue
Teu pensamento onde minh'alma cabe
E que meu corpo no teu corpo acabe

Lilia Chaves

*

Venha
toma meu corpo
minha pele, minha alma,
apropria meus sonhos

me bata na cara,
me faça louca, pouca,
santa, besta, tonta

devasta minhas aldeias,
derruba minhas muralhas,
caçoa de meus exércitos,
incendeia minhas casas,

me faça bela, fera,
donzela, megera, cadela

me cuspa no rosto,
me traga desgostos,
me lanha o dorso,
me tira os méritos,
me vista mortalhas

me faça alada, rasgada,
amada, amarga, molhada

e tudo o que quero
é que volte,
logo !

Patricia Antoniete

*

Dobro os joelhos
Quando você me pega... Me amassa, me quebra... Me usa demais...
Perco as rédeas, quando você demora, devora, implora
E sempre por mais...
Eu sou navalha cortando na carne...
Eu sou a boca que a língua invade
Sou o desejo maldito e bendito
Profano e covarde...
Desfaça assim de mim que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça!
Muito me interessa a sua potência... Seu calibre, seu gás...
Sou o encaixe o lacre violado
E tantas pernas por todos os lados
Eu sou o preço cobrado e bem pago
Eu sou um pecado capital...
Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos...
Virar o jogo...
Quero beber, o que dele escorre pela pele
E nunca mais esfriar minha febre...

Isabella Taviani

*

Diário da solidão

I

em meu quarto as aflições se igualam democraticamente.
deito-me sem conseguir reconhecer, entre tantas ausências, o pouco que ainda me resta para sonhar.
minha cama é uma ilha cercada de angústia por todos os lados.

II

desfaço-me com os olhos pregados no teto.
(o sono nunca vem quando preciso).
conto carneiros, penso besteira. e meu corpo, completamente desperto, dói a dor
de quem não encontra uma mão sobre um seio, o sexo duro, uma perna entre as
pernas. meu gemido é quase um lamento.

III

segundo alguns manuais, a solidão é caminho para o auto-conhecimento.
danem-se todos. estar só é desconhecer outro lado vivo de mim.
o espelho, no canto do quarto, anda embaçado de tanto escutar minhas queixas.
não preciso abrir a janela para saber que a lua está cheia.
 uivo.
e este uivo é apelo.

mariza lourenço

*


Noite

De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos

Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes

e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre

Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente

e da saliva o chicote
da tua língua dormente

Maria Tereza Horta

*

A hora

Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.

Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.

agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.

Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.

Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido ás pressas.

Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!

Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.

Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!

Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.

Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?

Juana de Ibarbourou

*

A Moça que Mostrava a Coxa

A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não mostrava aquilo
- concha, berilo, esmeralda -
que se entreabre, quatrifólio,
e encerrra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
á visão dos seios claros,
qua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o maximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-d'alva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quando mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...

Carlos Drummond de Andrade

*

Eu quero ser possuída por você,pelo seu corpo,
pela sua proteção, pelo seu sangue.
Me ama!
Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim.
Com sua carne e o seu amor.
Eternamente, infinitamente dentro de mim
me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando...
Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia
e você me abraçou e eu te abracei...
E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo,
Mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos...
A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome,
Da tua mão conduzindo a minha mão,
Do teu corpo revelando o meu corpo,
Como se o mundo fosse pela primeira vez,
Você o meu ponto de referência nessa cidade..."

José Vicente

*

Sólida

Impunha-lhe olhar e corpo. Exigia-lhe corpo e olhar.
O corpo dele indefeso. O corpo dela que o prendia.
As mãos que o percorriam. O olhar que o penetrava. A língua que lhe falava na
língua.

E escorria sólida no corpo dele.

Mordeu-lhe um ombro com força quando ele se moveu.
Agarrou a mão que lhe acariciava as costas. Prendeu-a na sua.
Com a outra mão fechou-lhe os olhos:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.

E escorria sólida no corpo dele.

Nos braços dele abriu os braços. Foi abraço nos braços.
Mordeu-lhe lábios e língua. Roubou-lhe ar e gemidos. Sorveu-lhe saliva e sabor.
Foi beijo. Boca na boca.

E escorria sólida no corpo dele.

Abriu-lhe as pernas com as pernas.
O peito colado ao peito. As ancas coladas ás ancas. O sexo colado ao sexo.
Sólida.
Movendo-se. Movendo-o. Tomando-o. Ocupando coxas e sexo.

E escorreu líquida no corpo dele.

Líquida como a saliva que nele deixava rasto.
Beijo corpo que o percorria. Beijo língua que o envolvia.
E a mão aberta no peito dele que lhe dizia:
- Não te movas. Não me olhes. Sente-te.

E escorreu líquida no corpo dele.

Contornou o desejo sólido nas coxas dele. Evitou o desejo sólido do sexo dele.
Foi beijo e boca nas pernas. Nos músculos tensos. Nos joelhos que antes abrira
com os seus.

A mão soltou o peito que prendia. A boca soltou o corpo que tremia.
Parou.
Sólida ante o corpo dele.

E no espaço que abrira entre as pernas dele, sentou-se.
Olhou o desejo entre as coxas dele. O sexo que a esperava.
O corpo dele que esperava que escorresse líquida nas coxas dele.

Ele abriu os olhos. A surpresa no olhar. A pergunta no olhar. A ansiedade no
corpo.
-Pede, disse-lhe ela.

encandescente

*

Adivinha o quanto gosto de ti
 
Já pensei dar-te uma flor,
Com um bilhete, mas nem sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim,
Quando deixo de te ver...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...

Ando a ver se me decido,
Como te vou dizer,
Como heide de contar,
Até já fiz um avião com um papel azul,
Mas voou da minha mão...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...

Quantas vezes parei à tua porta?
Quantas vezes nem olhaste para mim?
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses,
Quanto é que eu gosto de ti?

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...(AS)

***

Aqui tens a minha sede: fogo e água da tua boca ardendo ...Bernardete Costa

*
 
"Se me chamas, amor, eu não sei ser pouco intensa, então, deita-te aqui, na rede quente dos poemas que nascem pra ti..." Cissa de Oliveira
 
*

"Tu nunca bates no meu pensamento à hora de entrar... E quando chegas assim, estremeço até regiões ignoradas..." J.G. de Araujo Jorge

*
 
"Yo soy la amada, amante, soy la amada: la que en silencio mira. La que te espera. La que teje sus sueños con tu vida." Luzmaría Jiménez Faro

*
 
"Te amar: é mais que um verbo é a minha lei, e é por ti que o repito no meu canto: te amei, te amava, te amo e te amarei!" J. G. de Araujo Jorge
 
*

"Sou chama e neve branca e misteriosa... E sou, talvez, na noite voluptuosa, ó meu Poeta, o beijo que procuras!" Florbela Espanca
 
*

"E quando me escrevias, era tão belo o que me contavas que me despia para ler as tuas cartas. Só nua eu te podia ler." Mia Couto
 
*

"Que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar?" Carlos Drummond de Andrade 

*

"Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele." Victor Hugo
 
*

"Nesta curva tão terna e lancinante, que vai ser que já é o teu desaparecimento,digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti."
Alexandre O'Neil
 
*
 
"Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele..." Maria do Rosário Pedreira
 
*

"Quantas vezes te digo, quantas vezes... que és para mim o meu homem amado? Que sempre me enlouquece e só aí percebo como estava perdida sem te ter
encontrado..." Maria Teresa Horta
 
*

"Paixão alisa a pele, rasga a carne, expõe o nervo..." Rosane Coelho de Oliveira

*
 
"Existe sempre ontem na memória que me enche de sonhos, os teus dedos tocam-me dentro dos sonhos. Nos teus lábios, imagino beijos. perdi-me no mundo." José
Luis Peixoto
 
*

"Como pegadas marcadas na areia assim ficaram os teus gestos marcados em mim." Encandescente
 
*

"Extrañas formas tiene el amor. Las galas del deseo se nutren de harapos de desdicha y de frío." Josefa Parra
 
*

"Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor." José Luis
Peixoto
 
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"Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: ''Porque era ele, porque era eu''. Michel de Montaigne
 
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"Depois do amor precipitava-me para um espelho, para olhar o meu rosto. Estava tão bonita, tão radiosa então! Amava-me porque me amavas..." Marie-Claire
Pauwels
 
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"Confesso que sob carícias de tortura padeço com minha maior loucura: estar junto de ti, sentindo o corpo em chamas a me consumir." Marise Ribeiro
 
*

"Amo as noites de luar porque são de veludo, delicio-me quando, acaso, sinto, pelos meus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudo em carícias sutis,
rolarem-me os cabelos." Gilka Machado
 
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"Esta saudade és tu... é a tua falta viva, em meu corpo, na minha alma, viva...enquanto eu morro no meu pensamento." J. G. de Araujo Jorge
 
*

"Meu corpo é assim, como um vestido antigo, com duzentos botões... que você deve desabotoar, devagar... com calma... com carinho.. .para não amassar a seda, nem
machucar as dobras..." Maria Teresa Albani
 
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"Se o calor me queima não afrouxo as vestes, arranco-as. Se o frio me congela,não me lanço ao fogo, mas à pele." Helen Drumond
 
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"Deixa teu corpo ser meu abrigo nas noites em que só ando perdido." Antonio Santos
 
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    DESEJO

    O que é o desejo
    senão na possibilidade do beijo
    sentir o gosto da minha boca
    através da tua.
    Que é o desejo
    senão descobrir-me através de ti
    sentir em tuas mãos o contorno do meu corpo
    coxas, ventre e seios
    em carícias sem rodeios.
    Que é o desejo
    Senão querer ser querida
    E como brasa numa grande fogueira
    Deixar-me consumir
    Deixar-me possuir
    Alimentado o algoz
    Queimando em fogo feroz
    Até não mais existir
    Que é o desejo
    Senão uma grande ansiedade
    Mola que impulsiona meu viver
    Que me faz procurar-te por toda cidade
    Que me deixa louca de saudade
    Sempre querendo te ter?
    Pois se te tenho
    Encontro-me
    Em ti me descubro
    Teu prazer é o meu prazer
    Meu viver só tem sentido
    Por você
    Somos duas metades que se procuram
    Que se completam
    Que se atraem
    Que precisam estar unidas
    Por toda a eternidade
    Desejo e saciedade.

    Cristina Tinôco

     

REVELAÇÃO

Sinto falta desses seus olhos
que desnudam meu corpo, sem tocar,
e que não escondem o brilho
do desejo ao me olhar.
Sinto falta dessa sua boca
que sabe se insinuar com malícia,
e despertar na minha todas primícias.
Sinto falta dessas suas mãos
que sabem como percorrer minha pele
e tocando esconderijos,
desvendam tudo aquilo que me impele.
Sinto falta dos seus abraços
que sabem me envolver e me puxar
pra bem junto de você
e me fazer, como louca, desejar.
Sinto falta do seu corpo,
que sabe despertar um sexto sentido,
neste meu corpo de fêmea,
que era, antes, adormecido.
Sinto falta do seu suor
em minha pele, exalando o odor
do seu ímpeto
pela consumação do nosso amor.
Sinto falta do seu sexo
que, maravilhosamente,
no meu se completa,
revelando ao mundo
minhas fantasias mais secretas.
Sinto falta do jeito que me seduz,
do modo como sabe dizer que me quer
porque é você e só você
quem me faz sentir...mulher.

Silvia Munhoz 

A Aurora que me adivinha
Nesse teu olhar de peregrino,
Que te dá um jeito tão divino,
Escondes o azul que me enleia,
És meu oceano e eu, tua sereia.
Amo-te assim e tanto e tudo
Meu insaciável furacão,
Com o mesmo amor mudo
Que um poeta ama a paixão.
Mar revolto ou férreo deserto,
Salva-me teu corpo em alívio,
Me perfuma teu odor aberto,
Ora de enigma, ora de fascínio.
Assim como queima o incenso,
Tal é o desejo que me arde,
És o deus do meu anseio intenso,
Que me toma e doma sem alarde.
Ah! Essa tortura... minha delícia...
Que tão suave mas tão forte,
Fazes renascer na tua carícia,
Minh'alma tantas vezes à morte.
Teus meandros amorosos...
Tua pele, tuas mãos nervosas...
Com movimentos langorosos,
Compõem-me em notas maviosas.
Muitas vezes me tens perdida,
Na tua sanha misteriosa,
São teus beijos... ou mordidas,
Que me colhem tensa rosa.
Adivinhas-me tua amante...
Com risos, desse meu sem jeito,
Mas pousas, logo, num instante,
Lábios e mãos sobre meu peito.
Serena, tal lua em céu bordado,
Sob teus suspiros e gemidos,
Meu grito em lume arrebatado,
Ecoa em silêncios consumidos.
Minha sede em ti se sacia,
Minha alma em ti se revigora,
Das minhas noites de agonia,
Tu és a luz da minha aurora.

Lizete Abrahão

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para vc...beijos..Lali



por... Lali


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Dá-me de comer da tua boca,
minha boca, tua língua, dentes,
lábios, saliva.
Dá-me de comer dos teus olhos,
meus olhos, água, cílio,
pálpebra, viva.
Dá-me de comer de ti,
disso em ti que sou eu
e és em mim,
tudo fundo agora sempre antes,
gigante, sem fim.
Dá-me de comer assim,
como quem morre e ressuscita,
além.

 

Dói em mim o que não esperava, essa manhã que se alonga, essa noite entrelaçada. Dóem em mim os vestígios do teu corpo, lágrima no canto do olho, resto de riso ao meu confundido, teus dedos finos misturados à minha carne, a voragem da tua língua. Dói em mim a luz imprecisa da madrugada, acordes da tua voz emaranhados aos meus cabelos, aderidos ao adormecer dos sentidos. Dóem em mim as tuas marcas difusas, os rastros da tua saliva, a imperfeição definitiva da tua chegada - dor invertida, contentamento denso, gozo secreto, felicidade nova e funda que não entendo, mas que me pertence, um pouco mais a cada dia.

 

Dá-me tua mão, pássaro e lâmina, sobre meus olhos escuro e medo, sobre minha pele rastro d’água, sobre meus seios ninho e animal faminto. Dá-me tua mão, entre meus lábios, vão da gengiva, fio dos dentes saliva e carícia, entre meus cabelos, emaranhado novelo, afago e rédea, arreios, seguro sobre meu dorso, jugo aflito e pleno. Dá-me tua mão, extremadura da carne, serpente e visgo, pelas frestas, ao fundo, lava quente da terra, em sobrevôo leve, pela mansidão os cimos mais frios. Dá-me tua mão, ao redor do pescoço, na medida da cintura, um pouco acima dos joelhos, dedos em busca de um perfume perdido, temperatura improvável. Dá-me tua mão, sossego e resgate, lança e laço, tua mão de morte, de parto, de flagelo, de encanto, dá-me a tua mão de flor e canela, de gosto amargo e encontro, desespero e descanso.

Ticcia
http://www.naodiscuto.com

para vc...de nós...de sua...



por... Lali


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"Teu corpo de mar...
Meu mar infinito.
Renasço na fímbria do mar, do teu mar de sargaços,
no teu mar de desencontros e naufrágios
Renasço na tua boca de sal,
No teu cheiro a maresia,
Renasço em cada onda tua, envolta em grinaldas de espumas,
Em véus de saudade"
Maria Branco



"Foi luz e trevas, foi calor e frio, foi tudo e nada.
Encheu-me a consciência da minha insignificância,
De que nada posso e de que aquilo que quero não conta.
É hoje certeza de que o que possuo não é meu mas do destino.
E ontem, já só braseiro, alimentou-me a solidão,
Pois tu não estavas...
Ah, se os teus dedos pudessem limpar a fuligem dos meus olhos
E a tua boca varrer as cinzas que cobrem a minha,
Por baixo estaria um sorriso à tua espera
E sentir-me-ia compensada!
Vem! Depressa!"
Maria Branco



"Hoje quero ser escritora sobre o papel do teu corpo.
Vou te gravar na pele, em palavras, aquilo que de dentro me trazes
Para que, por absorção, regresse ao teu ser e jamais se perca
E este ciclo se mantenha eterno.
A caneta é esta boca que repete à exaustão o que me fazes sentir
E a tinta, indelével, é o amor que sinto por ti.
À medida que escrevo vou-te cobrindo de pétalas vermelhas
que esvoaçam ao encostar das nossas bocas, ao juntar dos nossos alentos em
uníssono..."
Maria Branco

bjus...LaLi



por... Lali


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