Sejam Benvindos(as)...


Haverá sempre um poema inacabado
apedrejando minha memória
nas claras noites
que você abriu
no escuro do meu peito.

(Eliane Malpighi)

Para conocer la noche...hay que apagar las estrellas.

(Tomas Castro)

...La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la playa..."

(José Hierro)

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...


Tocando...

Spanish guitar

c/

Tony Braxton

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Terra e Mar Músicas

Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me.

(Clarice Lispector)

Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se.

(Cecilia Meirelles)

Para tua fome

Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro

E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te persegues.

Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.

E abriria em mim mesma
Uma nova ferida

Para tua vida.

(Hilda Hilst)


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Recordação

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

(Cecilia Meirelles)

*

Esta noite

Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

(Maria do Rosário Pereira)

*

Poema do amor-perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

(Cecilia Meirelles)

*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me alimente os sonhos de calor?

(Léa Waider)

*

... Como posso viver longe de ti...
Como posso acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um momento...

(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel Resende)

*

Modo de amar

Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.

(Astrid Cabral)

*

Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te... Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se queixar que dói.

E sou tua, assim, como nenhuma foi!

(Leonor de Almeida)

*

Como eu não possuo


Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

(Mario de Sá Carneiro)



01

Quando vens mar,
rio.
Quando vens córrego,
sigo.
Se és regato,
canto.
Quando és Atlântico-
ó força espantosa
que escora meu cio,
meus anseios,
orgasmos
e desvarios -
“cresço em maré
quando mergulhas
em mim”.

Maria Limeira

02

Recebo-te de braços abertos
para que me possuas
sobre as rochas
plantadas sob meus pés.

Vens assim,
agitado espumante
pigmentas minh'alma
e sentes meu gosto
de destino

Envolves-me em tuas águas
festejando o encontro ritmado
Dos braços – toques, das pernas – abraços
da pele dos poros – arrepios

Vens, cresço em maré,
ao receber-te em mim
mar, mar atlântico!

Andréa Motta

03

cresce a maré e o vento do mar
corre a linha do rego da areia
grão a grão
no mergulho segredo sabor marinho
verde azul branco sopro espuma
saciando o silêncio desejo
que conserva em si de a possuir
e ela bebe...beija...bebe
a salgada aventura de o sentir

Ísis

04

Na ponta de uma corda
que construo com as flores,
em dança noturna
eu te desenho

e, numa estratégia da água
da alma, te deixo entrar.

Minha pele abre-se em aves,
quando mergulho em ti;

cresces, em maré,
danças comigo o poema

até que as mãos toquem
o chão. E sejam.

E agarrem a vida em forma de areia.

Sónia Regina

05

Espectro de consciência


Pega-me ao de leve no corpo entardecido do sol,
despe-me do laranja e do vermelho
e entorna-te sobre mim,
monocromático.
Sorve, voraz,
os alaridos da minha alma
e guarda-os em teus lábios
em penitência perene.
Apaga esse padrão repetido que me veste de dia
e desenha-me de novo, com traços convexos,
conexos ao desalinho
do tempo.
Figura-me nua
de sentimentos,
subtil
de entendimentos,
e preenche-me com a alvura inocente das gaivotas.
Sopra-me ao vento
e ganharei asas circundantes na altivez do céu,
espectro índigo que desce na bruma branca
das manhãs de Inverno.

Vera Carvalho

***

sempre vai ser vc...não esquece...



- Postado por: Lali