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Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores leva-me os
olhos por dentro de suas pétalas. Eram assim teus cabelos; tuas pestanas
eram assim, finas e curvas. As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta, de talos molhados, de
pólen, de sepulcro e de ressurreição. E as borboletas sem voz dançavam
assim veludosamente. Restitui-te na minha memória, por dentro das
flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix, tua boca de
malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com
suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas
suas nervuras nítidas de folha, - e incompreensíveis, incompreensíveis.
(Cecilia Meirelles)
*

Esta noite
Esta noite o vento ceifa os bosques e uma raiva
sacode a terra. Se a voz do mar chamasse pelas velas, os
estreitos aguardariam um naufrágio. E se dissesses o meu nome eu morreria
de amor. Devo, por isso, afastar-me de ti – não por ter medo de morrer
(que é de já não o ter que tenho medo), mas porque a chuva que devora as
esquinas é a única canção que se ouve esta noite sobre o teu
silêncio.
(Maria do Rosário Pereira)
*

Poema do amor-perfeito
Naquela nuvem, naquela, mando-te meu
pensamento: que Deus se ocupe do vento. Os sonhos foram sonhados, e
o padecimento aceito. E onde estás, Amor-Perfeito? Imensos jardins da
insônia, de um olhar de despedida deram flor por toda a vida. Ai de
mim que sobrevivo sem o coração no peito. E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano que nos meus olhos se aleita, entre
pálpebras de areia... Longe, longe... Deus te guarde sobre o seu lado
direito, como eu te guardava do outro, noite e dia,
Amor-Perfeito.
(Cecilia Meirelles)
*

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto
da dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara, me
alimente os sonhos de calor?
(Léa Waider)
*

... Como posso viver longe de ti... Como posso
acender um candeeiro senão para te ver? Como posso fitar uma parede por onde
não perpassa a tua sombra? ... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir
ter contigo? Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te
encontrar? Não, não podia viver longe de ti... Dá-me a tua boca por um
momento...
(Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel
Resende)
*

Modo de amar
Amor como tremor de terra abalando montanhas e
minérios nas entranhas da minha carne. Amor como relâmpagos e
sóis inaugurando auroras ou ateando faíscas e incêndios nas trevas da
minha noite. Amor como açudes sangrando ou caudais
tempestades despencando dilúvios. E não me falem de ruínas nem de
cinzas, nem de lama.
(Astrid Cabral)
*

Vem cá! Assim, verticalmente! Achega-te...
Docemente... Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher promessas do que
quero prometer, até à síncope do amor na alma! Colemos as mãos, palma a
palma! A minha boca na tua, sem beijo... Desejo-te até o desejo se
queixar que dói.
E sou tua, assim, como nenhuma foi!
(Leonor de Almeida)
*

Como eu não possuo
Como eu desejo a que ali vai na rua, tão
ágil, tão agreste, tão de amor... Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se eu a tivera um dia, toda
sem véus, a carne estilizada sob o meu corpo arfando transbordada, nem
mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante sobre o seu corpo de
êxtases dourados, se fosse aqueles seios transtornados, se fosse aquele
sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo, e vejo-me em
destroço até vencendo: é que eu teria só, sentindo e sendo aquilo que
estrebucho e não possuo.
(Mario de Sá Carneiro)
*

Dime Dime por favor donde estás, en que rincón puedo no verte, dónde puedo dormir sin recordarte y dónde recordar sin que me duela.
Dime por favor dónde pueda caminar sin ver tus huellas, dónde puedo correr sin recordarte y dónde descansar con mi tristeza.
Dime por favor cuál es el cielo que no tiene el calor de tu mirada y cuál es el sol que tiene luz tan sólo y no la sensación de que me llamas.
Dime por favor cuál es el rincón en el que no dejaste tu presencia. Dime por favor cual es el hueco de mi almohada que no tiene escondidos tus recuerdos.
Dime por favor cuál es la noche en que no vendrás para velar mis sueños… Que no puedo vivir porque te extraño y no puedo morir porque te quiero.
Jorge Luis Borges
*

Tua mão em mim
Você me acorda no meio da noite e eu que navegava tão distante cravada a proa em espumas desfraldados os sonhos afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis a boca ainda salgada mas já amarga molhada a crina encharcados os pêlos na maresia que do meu corpo escorre. Cravam-se ao fundo os dedos do desejo. A correnteza arrasta. Só quando o primeiro sopro escapar entre os lábios da manhã levantarei âncora. Mas será tarde demais. O sol nascente terá trancado o porto e estarei prisioneira da vigília.
Marina Colasanti
*

Secretamente
Seus olhos estão perigosamente dentro de mim aqui fizeram morada e estão como Deus em toda parte se interpondo entre a paisagem mais próxima entre a fresta de luz e a imagem tangenciando meu olhar que não sabe olhar puro que se trai a cada segundo.
Seus olhos estão perigosamente pousados sobre mim como borboleta em flor cobrindo minha pele em ternura suaves como seda a farfalhar sobre os poros e os pelos. Luzes que incendeiam em sublime música meu corpo aceso em sede Sombras sobre minha noite embalam meu sono devassando meus sonhos onde secretamente me assombram estando fora e sendo dentro espelhos de amor intenso e imenso.
Nossos olhos estão perigosamente em comunhão a despeito da separação que a vida nos impõe. E nossas vidas sob risco entre sermos felizes ou tristes e nossos destinos por um triz entre sucessos e desatinos. Secretamente espreitamos-nos como caminhos à beira de atraentes abismos.
Virgínia Schall
*

Vem morrer vivendo nos meus braços Vem morrer vivendo nos meus braços Preenche com meu colo teus espaços Do avesso do meu não, faz o teu sim Vem poetar de amor dentro de mim Grita o aroma rubro do desejo em flor Perde teu gosto fulvo desta pele em cor Pensa nas sombras de gemidos vãos E faze de meus lábios tuas mãos Sente meu toque no teu toque exangue Vive meu gozo em teu próprio sangue Dá-me teu beijo para que eu afague Dá-me teus olhos para que eu me afogue Teu pensamento onde minh'alma cabe E que meu corpo no teu corpo acabe
Lilia Chaves
*

Venha toma meu corpo minha pele, minha alma, apropria meus sonhos
me bata na cara, me faça louca, pouca, santa, besta, tonta
devasta minhas aldeias, derruba minhas muralhas, caçoa de meus exércitos, incendeia minhas casas,
me faça bela, fera, donzela, megera, cadela
me cuspa no rosto, me traga desgostos, me lanha o dorso, me tira os méritos, me vista mortalhas
me faça alada, rasgada, amada, amarga, molhada
e tudo o que quero é que volte, logo !
Patricia Antoniete
*

Dobro os joelhos Quando você me pega... Me amassa, me quebra... Me usa demais... Perco as rédeas, quando você demora, devora, implora E sempre por mais... Eu sou navalha cortando na carne... Eu sou a boca que a língua invade Sou o desejo maldito e bendito Profano e covarde... Desfaça assim de mim que eu gosto e desgosto Me dobro, nem lhe cobro Rapaz! Ordene, não peça! Muito me interessa a sua potência... Seu calibre, seu gás... Sou o encaixe o lacre violado E tantas pernas por todos os lados Eu sou o preço cobrado e bem pago Eu sou um pecado capital... Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo Surpreender seus movimentos... Virar o jogo... Quero beber, o que dele escorre pela pele E nunca mais esfriar minha febre...
Isabella Taviani
*

Diário da solidão
I
em meu quarto as aflições se igualam democraticamente. deito-me sem conseguir reconhecer, entre tantas ausências, o pouco que ainda me resta para sonhar. minha cama é uma ilha cercada de angústia por todos os lados.
II
desfaço-me com os olhos pregados no teto. (o sono nunca vem quando preciso). conto carneiros, penso besteira. e meu corpo, completamente desperto, dói a dor de quem não encontra uma mão sobre um seio, o sexo duro, uma perna entre as pernas. meu gemido é quase um lamento.
III
segundo alguns manuais, a solidão é caminho para o auto-conhecimento. danem-se todos. estar só é desconhecer outro lado vivo de mim. o espelho, no canto do quarto, anda embaçado de tanto escutar minhas queixas. não preciso abrir a janela para saber que a lua está cheia. uivo. e este uivo é apelo.
mariza lourenço
*

Noite
De noite só quero vestido o tecido dos teus dedos e sobre os ombros a franja do final dos cabelos
Sobre os seios quero a marca do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus lábios a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço quero a pressão mais ardente
e da saliva o chicote da tua língua dormente
Maria Tereza Horta
*

A hora
Toma-me agora que ainda é cedo e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso como um sino sacudido ás pressas.
Depois..., iah, eu sei que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo, como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês que a trepadeira crescerá cipreste?
Juana de Ibarbourou
*

A Moça que Mostrava a Coxa
A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo - concha, berilo, esmeralda - que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me mostrava. E torturando-me, e virgem no desvairado recato que sucedia de chofre á visão dos seios claros, qua pulcra rosa preta como que se enovelava, crespa, intata, inacessível, abre-que-fecha-que-foge, e a fêmea, rindo, negava o que eu tanto lhe pedia, o que devia ser dado e mais que dado, comido. Ai, que a moça me matava tornando-me assim a vida esperança consumida no que, sombrio, faiscava. Roçava-lhe a perna. Os dedos descobriam-lhe segredos lentos, curvos, animais, porém o maximo arcano, o todo esquivo, noturno, a tríplice chave de urna, essa a louca sonegava, não me daria nem nada. Antes nunca me acenasse. Viver não tinha propósito, andar perdera o sentido, o tempo não desatava nem vinha a morte render-me ao luzir da estrela-d'alva, que nessa hora já primeira, violento, subia o enjoo de fera presa no Zôo. Como lhe sabia a pele, em seu côncavo e convexo, em seu poro, em seu dourado pêlo de ventre! mas sexo era segredo de Estado. Como a carne lhe sabia a campo frio, orvalhado, onde uma cobra desperta vai traçando seu desenho num frêmito, lado a lado! Mas que perfume teria a gruta invisa? que visgo, que estreitura, que doçume, que linha prístina, pura, me chamava, me fugia? Tudo a bela me ofertava, e que eu beijasse ou mordesse, fizesse sangue: fazia. Mas seu púbis recusava. Na noite acesa, no dia, sua coxa se cerrava. Na praia, na ventania, quando mais eu insistia, sua coxa se apertava. Na mais erma hospedaria fechada por dentro a aldrava, sua coxa se selava, se encerrava, se salvava, e quem disse que eu podia fazer dela minha escrava? De tanto esperar, porfia sem vislumbre de vitória, já seu corpo se delia, já se empana sua glória, já sou diverso daquele que por dentro se rasgava, e não sei agora ao certo se minha sede mais brava era nela que pousava. Outras fontes, outras fomes, outros flancos: vasto mundo, e o esquecimento no fundo. Talvez que a moça hoje em dia... Talvez. O certo é que nunca. E se tanto se furtara com tais fugas e arabescos e tão surda teimosia, por que hoje se abriria? Por que viria ofertar-me quando a noite já vai fria, sua nívea rosa preta nunca por mim visitada, inacessível naveta? Ou nem teria naveta...
Carlos Drummond de Andrade
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Eu quero ser possuída por você,pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue. Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando... Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia e você me abraçou e eu te abracei... E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo, Mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos... A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome, Da tua mão conduzindo a minha mão, Do teu corpo revelando o meu corpo, Como se o mundo fosse pela primeira vez, Você o meu ponto de referência nessa cidade..."
José Vicente
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Sólida
Impunha-lhe olhar e corpo. Exigia-lhe corpo e olhar. O corpo dele indefeso. O corpo dela que o prendia. As mãos que o percorriam. O olhar que o penetrava. A língua que lhe falava na língua.
E escorria sólida no corpo dele.
Mordeu-lhe um ombro com força quando ele se moveu. Agarrou a mão que lhe acariciava as costas. Prendeu-a na sua. Com a outra mão fechou-lhe os olhos: - Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorria sólida no corpo dele.
Nos braços dele abriu os braços. Foi abraço nos braços. Mordeu-lhe lábios e língua. Roubou-lhe ar e gemidos. Sorveu-lhe saliva e sabor. Foi beijo. Boca na boca.
E escorria sólida no corpo dele.
Abriu-lhe as pernas com as pernas. O peito colado ao peito. As ancas coladas ás ancas. O sexo colado ao sexo. Sólida. Movendo-se. Movendo-o. Tomando-o. Ocupando coxas e sexo.
E escorreu líquida no corpo dele.
Líquida como a saliva que nele deixava rasto. Beijo corpo que o percorria. Beijo língua que o envolvia. E a mão aberta no peito dele que lhe dizia: - Não te movas. Não me olhes. Sente-te.
E escorreu líquida no corpo dele.
Contornou o desejo sólido nas coxas dele. Evitou o desejo sólido do sexo dele. Foi beijo e boca nas pernas. Nos músculos tensos. Nos joelhos que antes abrira com os seus.
A mão soltou o peito que prendia. A boca soltou o corpo que tremia. Parou. Sólida ante o corpo dele.
E no espaço que abrira entre as pernas dele, sentou-se. Olhou o desejo entre as coxas dele. O sexo que a esperava. O corpo dele que esperava que escorresse líquida nas coxas dele.
Ele abriu os olhos. A surpresa no olhar. A pergunta no olhar. A ansiedade no corpo. -Pede, disse-lhe ela.
encandescente
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Adivinha o quanto gosto de ti Já pensei dar-te uma flor, Com um bilhete, mas nem sei o que escrever, Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, Quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti. Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...
Ando a ver se me decido, Como te vou dizer, Como heide de contar, Até já fiz um avião com um papel azul, Mas voou da minha mão...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti. Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...
Quantas vezes parei à tua porta? Quantas vezes nem olhaste para mim? Quantas vezes eu pedi que adivinhasses, Quanto é que eu gosto de ti?
Gosto de ti desde aqui até à lua, Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto, E é tão bom viver assim...(AS)
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No conjugar amor Descobrimos coisas que ninguém mais sabe Coisas diversas do saber comum. A transfusão que existe no beijar quando a ternura é líquida E a transparência opaca do suor quando o amor é feito E o jeito que nos fica de namorar o corpo E o exagero em tudo que se diz nas juras repetidas Descobrimos coisas que ninguém mais sabe e que aprendemos juntos. Manuela Amaral
Contrações Abre e fecha flechas de desejos flashs instantâneos quando penso em ti... Pulsa o pulso pulsa a flor que arde curtas contrações longos arrepios... Abre e fecha sangue bombeando vida latejando rega esse navio... Pulsam bicos seios bolinados duros, retesados querendo implodir... Flor-de-cheiro doce à la pom-pom molha tua boca sente quanto é bom... Abre e fecha pulsa e repuxa flor-da-contração arde de tesão abre minhas coxas rompe tuas forças seca minhas poças e deglutes todas as flores roxas que um dia desabrochaste... Isabel Machado 
Dedos do silêncio
Vem... Me toma à beira da noite, caminha por mim com seus passos molhados, despeja seu rio no meu cálice pois minha emoção é só água. Vem... Que eu lhe dou um trago deste meu vinho guardado, destas minhas uvas frescas de inverno... Que eu derramo em gotas meu perfume pelos quatro cantos do seu corpo, vestindo sua pele com a camurça da nudez e do silêncio. Vem... Deita e me canta, sente meu desejo se esgueirando pelos seus dedos, veleja sem bússola pelos meus sentidos, me olha como quem pede lua... Deixa eu sussurrar minhas folhas, soprar minhas pétalas pelo seu peito de relva, pelo seu solo macio. Vem... Não volta, esquece a hora morta do cotidiano de sempre. Me toca feito música e deixa eu cantar meu bolero pelas suas curvas de carne... Sinto-me inocência passeando por suas alturas, por seus andares cheios da mais noturna noite densa. Desvenda essa face molhada e me mostra a sua vertente original de emoção pura... Que eu o espero na branca paz do meu ventre adormecido, dos meus braços plenos de fogueiras e cantigas. Vem... Que eu desfolho toda essa sua vontade nua, que eu desperto todo esse seu lado cigano... pois o meu leite é morno e é rosa franca meu sorriso. Deixa seu barco navegar pelo meu leito, que eu carrego no peito a ânsia de hastear a bandeira do infinito... Vem... Deita... Me namora... Me afoga no espelho de luz dessa madrugada afora, me diz que no nosso tempo não há tempo nem hora, que eu não agüento a flor do sexo que arde nas entranhas de mim... Deixa que eu amanheça na espuma dessa sua onda quente, deixa sua emoção fluir da garganta num repente... Que eu carrego nos olhos de relento a voz que lhe pede a terra e que lhe entrega o mar. Rosy Feros *** 
Meu homem eu quero, enquanto puder, molhado e úmido feito mulher.(Leila Míccolis) bjus...meu Eu. *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi
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Multidão Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o imo do cipreste, És tu que me chamas. Olhos invisíveis sulcam a sombra, penetram-me como à parede os pregos, És tu que me fitas. Mãos invisíveis nos ombros me tocam, para as águas dormentes do lago me atraem, És tu que me queres. De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros a loucura sai para o cérebro, És tu que me penetras. Não mais os pés pousam na terra, não mais pesa o corpo nos ares, transporta-o a vertigem obscura És tu que me atravessas, tu. Ada Negri

De joelhos É quando estás de joelhos que és toda bicho da terra toda fulgente de pêlos toda brotada das trevas toda pesada nos beiços de um barro que nunca seca nem no cântico dos seios nem no soluço das pernas toda raízes nos dedos nas unhas toda silvestre nos olhos toda nascente no ventre toda floresta em tudo toda segredo se de joelhos me entregas sempre que estás de joelhos todos os frutos da terra. David Mourão Ferreira
Da Entrega.. Passo-te as mãos no rosto num gesto de ternura intemporal Os dedos àvidos de trajectos, Os teus olhos de perguntar encontram os meus Desenhando-lhes lentos compassos de espera, Demoradamente lentos, Devolvo o medo inquieto de que me saibas Como se fosse possível impedi-los de te beijar Com a furia de quem ama, O teu cheiro a entrar no meu corpo. A ternura a espraiar-se. Os meus dedos a enrolarem-se nas palavras Dolorosas do teu silêncio, Os meus lábios no desejo da comunhão do sentir, Beijam-te baixinho, Para que oiças a ternura limpida Do meu aceitar. Solto-me de mim, para livre Me depositar nas tua alma e no Teu corpo. No meu olhar a entrega da ternura A certeza do amanhã... Maria Branco
Sento-me na varanda dos teus olhos E faço-te este poema de saudade Alongo os gestos na música que entardece Como são longos os braços num abraço que estremece Como é vermelho o sol na tarde que esvoaça Traz-me novelos de oiro nos dedos traços Alonga no azul o perguntar dos olhos Deixa morrer na terra a semente do meu pão E abandona o corpo no ondular das ondas Sê rocha, areia, vento e céu azul Morre amor e nasce lírio, ramo flor Olhos de mar rasgados de martírio Aurora na tarde, esperança de amanhã Andorinhas da tarde dançando loucas Na corrente fechada das nossas mãos... (...) Depois, levanto-me e mergulho no mar de ti nadando descuidada nos segredos da tua boca... Maria Branco bjus..meu Eu *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi
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E de novo a armadilha dos abraços E de novo a armadilha dos abraços. E de novo o enredo das delícias. O rouco da garganta, os pés descalços a pele alucinada de carícias. As preces, os segredos, as risadas no altar esplendoroso das ofertas. De novo beijo a beijo as madrugadas de novo seio a seio as descobertas. Alcandorada no teu corpo imenso teço um colar de gritos e silêncios a ecoar no som dos precipícios. E tudo o que me dás eu te devolvo. E fazemos de novo, sempre novo o amor total dos deuses e dos bichos. Rosa Lobato Faria  Toca mi piel Toca mi piel, de barro, de diamante, Oye mi voz em fuentes subterrâneas, Mira mi boca em esa lluvia oscura, Mi sexo em esa brusca sacudida Com que desnuda el aire los jardines. Toca tu desnudez em la del agua, Desnúdate de ti, llueve em ti misma, Mira tus piernas como dos arroyos, Mira tu cuerpo como um largo rio, Son dos islãs gemelas tus dos pechos, Em la noche tu sexo es una estrella, Alba, luz, rosa entre dos mundos ciegos, Mar profundo que duerme entre dos mares. Mira el poder del mundo: Reconócete ya, al reconocerme. Octavio Paz  Corpo de Mar Em teu corpo, meu amor, pressinto o mar Em volutas de espuma e de rosas, Bonanças que se espraiam preguiçosas, Horizontes que se perdem no olhar. Sereias mil me beijando ao luar, Medusas que me cingem caprichosas, Ninfas nuas dançando deleitosas Ressacas de volúpia em preia-mar. E, quando minhas mãos acariciando As ondas que se lançam em frenesim Nas praias do teu ser em descomando, Um navio as amarras solta em mim, Em águas buliçosas ondulando, Preste se vai por céus e mares sem fim. Renato Macedo
Quero lhe beijar a boca Quero lhe beijar a boca morder seus lábios e brincar sua língua na minha. Quero lhe beijar a nuca lhe arrepiar inteiro encostar meu peito no seu até os corações se compassarem as mãos entrelaçadas suarem. Quero um abraço eterno de guardar seu cheiro na minha pele. Quero me queimar no seu fogo e guardar pra sempre a cicatriz escarlate desse nosso encontro. Léa Waider sempre sua...meu Eu. 
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Primavera À tua boca espero passiva as tempestuosas vontades de amá-lo sem medos... Vivem em mim desejos que te clamam rios perenes de quereres profanos Meu dono... de voz mansa e ordens severas Diga o que queres e eu me debulho em folhas nesse corpo que te guarda Primavera de segredos dos teus dedos que me aram a terra, desfolham e me fincam bandeira: sementes pra vida inteira. Dira Vieira 
De dia, sou tuas águas Chove lá fora e me deixo levar pelas tuas palavras ditas como se eu fosse a rua e as tuas águas me lavassem as calçadas os meus vãos o pé da escada... então eu abro os braços em papel de parede para que me imprimas em preto e branco o teu amor que me alaga em lilás. O meu fogo, atiçado pela esperança, ressente-se do frio e te concebe inteiro entre lençóis macios letras e letras em sustenidos. És água benta escorrendo dos meus olhos lavando a chuva : saudade dos teus dedos parindo em mim a vida. Dira Vieira 
Tradução Roço a minha palavra sobre a tua pele nua E vou desenhando meu discurso nas entrelinhas Pousando a lingua-mãe sobre tuas pernas Minhas vírgulas, paradoxos sem culpas São as paradas obrigatórias para te sorver Com calma, a perpetuação das tuas formas Alinhadas e comovidas Sobre o meu corpo que se dobra... Roço as minhas ausências, Páginas em brancos Súplicas, prantos Desencantos...solidão dos meus verbos Frases de efeitos, Luz neon na tela vazia Cada dia, um ponto, te encanto e sofro de amor. A noite é longa O dia é sofrido... A saudade te reflete sobre a mesa da sala E a tua voz se desdobra Em letras, imagens que me calam Intervalos de esperança nos parágrafos das longas cartas a ti. A minha saudade, Exponho sobre a tua pele Boca, olho, coração em série Verbos que traduzem e conjugam A minha imensa necessidade De traduzir a tua pele sobre a minha interfaces de sonhos que se misturam dedos que falam e fluem a palavra, cruzando as pernas do desejo te chama, te busca, te deseja, nossas bocas que se enlaçam em parágrafos, plural de mãos que se procuram numa gramática de dor: verbo difícil de conjugar eu amo, tu amas nós não temos tempo de amar. Dira Vieira * para vc...meu Eu...tudo, beijos... 
Entrega Una ola rompe violenta en la playa de nuestros cuerpos nos inunda un rugido de mar contra las rocas. Al retirarse, lenta, nos deja una brisa erótica que nos envuelve uniéndonos para siempre en un beso. Amparo Jimenez *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi
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abraço fechado eu queria um abraço fechado! daqueles em que seus cotovelos ultrapassam meus ombros e num receio que eu escape, ainda enlaça meu pescoço com as mãos trocadas no próprio antebraço. sabe quando sua face amassa minha orelha e teus seios colam com as batidas do meu coração? eu queria o abraço fechado, meus braços enlaçando tua cintura fazendo teus pés perderem o chão. queria esse abraço. você fechada comigo e eu solto em você. assim. Beto Muniz 
pelos mares inexplorados do teu corpo navegam minhas atrevidas extremidades sem descanso e jamais achar conforto desconsiderando todas tolas vaidades enfrentam as vagas que ondulam em tua tez com extrema e assombrosa intrepidez descobrindo aqui e ali tropicais ilhas tão próximas e contudo tão separadas de prazer distantes muitas milhas que percorro, minhas velas todas enfunadas, arquipélagos de desejos que ali vibram e os lagos plácidos dos teus olhos equilibram escondendo os mais riquíssimos tesouros teus prazeres que me valem mais que ouro Benno Assmann
Te vejo Num começo de mar Num findar de Estação No perfeito do par Na canção da canção Numa reta de rua No quadrado da cama No redondo da lua E na chama da chama No início do verso No final do poema Na palavra universo Que é você e meu tema No carinho que faço No que fazes em mim No espaço do espaço Entre o não e o sim Nesse gole de vinho Nesse som de bolero No dançar coladinho Nesse quero-te-quero Nessa mão, nessa saia Nessa coxa que aliso Nessa língua que ensaia Em lamber teu ouvido Nesses olhos fechados Nessa boca entreaberta Nesses peitos colados No meu peito que aperta No teu corpo encostado Nessa fria parede Nesse lábio sugado Nessa mútua sede Na cintura que abraço No veludo da fala No batom que desfaço No tapete da sala Nesse beijo de boca Ou no beijo invertido Onde a voz cala rouca Num falar sem sentido Nesse corpo suado Nesse encaixe perfeito No dançar ritmado No cabelo desfeito Nesse sobe que desce Nesse desce que sobe Onde tudo se pede Onde tudo se pode Nesse homem que geme Nesse macho que urra Nesse corpo que treme Nesse lobo que uiva Nessa mulher que eu amo Nessa santa que reza Nessa fêmea que eu como Nessa puta que eu quero Nesse abraço por trás Nesse abraço de frente No prazer que me dás Nesse gozo da gente. Antoniel Campos *** sua...meu Eu. 
elevar-se meu corpo atende à convocação dos sentidos a memória do oceano viaja num murmúrio marítmo eleva-se por um instante eterno silvia chueire *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi ***
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Eu., voce...beijo...amor nosso... 
Extase no reino de Netuno O meu desejo é denso. É como se minha essência Vazasse de mim em direção a ele E o olor deste meu desejar fosse tal um ímã, Como o é a maresia, Que aproveita a vazante para nos enfeitiçar... Assim eu a escrutar seu corpo, Descobrir o que nele me alucina, Atraindo-o com a volúpia que de mim transborda, Com a certeza de que o gozo ultrapassará todo o desejo. Sim, é a maresia de minhas entranhas que o captura... De mim escorre um mar de prazeres, Que se move no vaivém de suas ondas... O corpo amado responde ao meu desejo, No singular balé dos sentidos, tal como na ressaca... Tocar os vértices do seu corpo, pura idolatria. Lamber espumas doces e brancas, Ouvir nossos gemidos num marulho, inebriada. Visão do desejo personificado que me hipnotiza... E, tal uma ondina exuberante extasiada, Exalar os perfumes do prazer aplacado, Transformando todo o perfume do mundo em maresia. Tania Lima
Inusitado banquete Chantilly Palavra mágica... A partir de sua consistência melíflua Vai se desenhando em nossa mente Um quadro de sensações... Como se rabiscássemos sobre o creme na pele. E ouvir sua voz, por entre tais sabores, Faz minha pele espetar como alfinetes, Ganhando textura de uma fina lixa A provocar seu corpo... Já o recipiente não pode contê-lo... Você extravasa uma gota de mel Que tomo em minha língua sedenta... Desencadeado está um banquete de prazeres. Todos os sentidos em alerta... Nenhuma pressa... O branco do leite Faz crescer nossa fome... Queremos provar com urgência Cada novo sabor que a ele se mistura... Tocar a parte que escorre, Goteja pelos nossos corpos E faz brilhar, sob luz indefinida, Todas as nossas protuberâncias. Provamos, na língua do outro, A quintessência da nossa emoção. Olhos abertos a investigar cada detalhe... Saboreando a visão de bocas lambuzadas. Tomo seu desejo em mãos e boca, ávidas. O olor do nosso prazer paira sobre nós. Você me toma no sabor de sua preferência... A música das esferas orienta o ritmar de ambos; Que cresce, se avoluma... Transforma em puro deleite Cada toque, gosto, perfume... Faz explodir em muitos gemidos.. Êxtase dos sentidos! Tania Lima 
Efeitos colaterais Pensei que não fizesse mal Se deixasse o profundo do teu olhar Em meus olhos mergulhar, Apenas de brincadeira. Pensei que não fizesse mal Se beijasse tua boca Sem nenhuma língua louca, Somente em teus lábios roçasse. Pensei que não fizesse mal Se te tornasse importante, Não tanto quanto no presente instante, Apenas um acontecimento. Pensei que não fizesse mal Se somente te respirasse Assim de leve, Como se cheirasse algo quase sem odor. Pensei que não fizesse mal Tocar teus cabelos Bem mansinho, sem arrepios, Somente um breve afago. Pensei que não fizesse mal Se te amasse só um pouco, Nada de amor muito louco, Apenas um amorzinho à toa: Desses que a gente esquece Quando algo aborrece, Desses que a gente descarta Assim que o coração se farta, Desses tranqüilos amores Que vão sem deixar muitas dores. Pensei que não fizesse mal!... E agora teus olhos me perseguem, Essa tua boca me suga as forças. És o mais importante, Sem ti não mais respiro. Não sei te amar só um pouco, Te transformei em algo vital. E pensei que não me fizesse mal!... Tania Lima *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi ***
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Azul_luzente Luz de teu olhar sobre meu corpo. Água equina que se escapa de cada poro. Cavalo à solta Escorro em ti. Como o silêncio no teu porto Quando o mar se acalma. Aplacamos o vento da distância. Flama inocência de quem se ama. Azul_luzente. Sinto-te! bonecadetrapos  Soneto de entrega Amar é entregar. Tudo te dou. Não porque tu me pedes porque quero. Pois te sei livre em mim portanto espero em ti livre perder-me: aqui estou. Quero o grito o encanto o mel o vôo oceano e deserto reverbero sob o toque das mãos tuas: bolero só audível a mim quando em ti sou. Mais que flor ofertada aberta ao falo sou suor sou galope e contra-canto o teu corpo no meu corpo abrilhanto e em mil sóis saberei multiplicá-lo : gozo imenso eterniza a cavalgada e enrubesce de inveja a madrugada. Marcia Maia

Escrava Teu poema, inclemente, me encarcera, umedecendo, de gozo, os meus versos. Espancando, com a pena, as minhas rimas, se assanha, feito bicho, entre meus seios. Teus dedos em tuas mãos; ágeis tentáculos, aprisionam de vez minhas vontades, deixando-me à mercê dos teus domínios, amarrando-me os pulsos, como escrava. O ar que me vem é da tua boca. Meus gemidos, quem sufoca é tua língua. Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos, me faz louvar - indecente - o teu nome. Em minha barriga, passeia impune, o teu falo. Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno. Entre minhas coxas, tu desenhas a tua fúria, em teu pescoço, cravo dentes de poesia. Mariza Lourenço

Amoras maduras Ao sabor das amoras na minha língua maduras - era talvez o tempo delas – fechei os olhos, para assim prolongar dentro do meu peito a memória aconchegada no gosto das bocas. Como suster o ar – sem respirar? – Quando bebo a fragrância derramada Do teu corpo adormecido Sob os lençóis amarrotados da loucura? Estou imobilizada – sinto o teu respirar – Abro lentamente os olhos e perscruto o teu sono. És terrivelmente belo, qual anjo adormecido. Os anjos não dormem – nem existem – porque A loucura cai branda e, alienada, ecoa nos latidos Noctívagos de um cão à procura de amoras maduras © Piedade Araújo Sol *** ...meu eu...bjus
além do poema os teus olhos mergulhados no meu corpo as tuas mãos imersas na minha pele a tua boca líquida no meu sexo as tuas palavras gravadas nos meus seios tudo tão além do poema silvia chueire *** Minhas coisas...Meus blogs Lali...mulher...poema. Coisas de LaLi Cantinho da Laranja Lima ...Sou LaLi
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