Sejam Benvindos(as)...


"Para conocer la noche...hay que apagar las estrellas." (Tomas
Castro)

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"Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se". (Cecilia Meireles)

"Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me." (Clarice Lispector)

 

haverá sempre um poema inacabado
apedrejando minha memória
nas claras noites
que você abriu
no escuro do meu peito"

(Eliane Malpighi)

"Para tua fome

Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro

E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te persegues.

Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.

E abriria em mim mesma
Uma nova ferida

Para tua vida."

Hilda Hilst


 

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Esta noite

Maria do Rosário Pereira

Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

Poema do amor-perfeito

Cecília Meireles

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

 

Recordação

Cecília Meireles

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ónix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara,
me alimente os sonhos de calor? (
Léa Waider)

*

... Como posso viver longe de ti...
Como posso acender um candeeiro senão para te ver?
Como posso fitar uma parede por onde não perpassa a tua sombra?
... Como hei-de abrir uma porta se não for para ir ter contigo?
Como hei-de atravessar uma soleira se não for para te encontrar?
Não, não podia viver longe de ti...
Dá-me a tua boca por um momento...(
Tasos Leivaditis, Tradução de Manuel Resende)

*

...La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas secas,
acuna en su oleaje
los objetos que duermen en la playa..."(
José Hierro)

Modo de amar
Astrid Cabral

Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.

*

Vem cá! Assim, verticalmente!
Achega-te... Docemente...
Vou olhar-te... E, no teu olhar, colher
promessas do que quero prometer,
até à síncope do amor na alma!
Colemos as mãos, palma a palma!
A minha boca na tua, sem beijo...
Desejo-te até o desejo
se queixar que dói.

E sou tua, assim, como nenhuma foi!

(Caminhos Frios
Leonor de Almeida, 1947, Portugal)

*

Como eu não possuo


Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim - ó ânsia - eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

(Dispersão
Mário de Sá-Carneiro, 1914, Portugal)

*

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    DESEJO

    O que é o desejo
    senão na possibilidade do beijo
    sentir o gosto da minha boca
    através da tua.
    Que é o desejo
    senão descobrir-me através de ti
    sentir em tuas mãos o contorno do meu corpo
    coxas, ventre e seios
    em carícias sem rodeios.
    Que é o desejo
    Senão querer ser querida
    E como brasa numa grande fogueira
    Deixar-me consumir
    Deixar-me possuir
    Alimentado o algoz
    Queimando em fogo feroz
    Até não mais existir
    Que é o desejo
    Senão uma grande ansiedade
    Mola que impulsiona meu viver
    Que me faz procurar-te por toda cidade
    Que me deixa louca de saudade
    Sempre querendo te ter?
    Pois se te tenho
    Encontro-me
    Em ti me descubro
    Teu prazer é o meu prazer
    Meu viver só tem sentido
    Por você
    Somos duas metades que se procuram
    Que se completam
    Que se atraem
    Que precisam estar unidas
    Por toda a eternidade
    Desejo e saciedade.

    Cristina Tinôco

     

REVELAÇÃO

Sinto falta desses seus olhos
que desnudam meu corpo, sem tocar,
e que não escondem o brilho
do desejo ao me olhar.
Sinto falta dessa sua boca
que sabe se insinuar com malícia,
e despertar na minha todas primícias.
Sinto falta dessas suas mãos
que sabem como percorrer minha pele
e tocando esconderijos,
desvendam tudo aquilo que me impele.
Sinto falta dos seus abraços
que sabem me envolver e me puxar
pra bem junto de você
e me fazer, como louca, desejar.
Sinto falta do seu corpo,
que sabe despertar um sexto sentido,
neste meu corpo de fêmea,
que era, antes, adormecido.
Sinto falta do seu suor
em minha pele, exalando o odor
do seu ímpeto
pela consumação do nosso amor.
Sinto falta do seu sexo
que, maravilhosamente,
no meu se completa,
revelando ao mundo
minhas fantasias mais secretas.
Sinto falta do jeito que me seduz,
do modo como sabe dizer que me quer
porque é você e só você
quem me faz sentir...mulher.

Silvia Munhoz 

A Aurora que me adivinha
Nesse teu olhar de peregrino,
Que te dá um jeito tão divino,
Escondes o azul que me enleia,
És meu oceano e eu, tua sereia.
Amo-te assim e tanto e tudo
Meu insaciável furacão,
Com o mesmo amor mudo
Que um poeta ama a paixão.
Mar revolto ou férreo deserto,
Salva-me teu corpo em alívio,
Me perfuma teu odor aberto,
Ora de enigma, ora de fascínio.
Assim como queima o incenso,
Tal é o desejo que me arde,
És o deus do meu anseio intenso,
Que me toma e doma sem alarde.
Ah! Essa tortura... minha delícia...
Que tão suave mas tão forte,
Fazes renascer na tua carícia,
Minh'alma tantas vezes à morte.
Teus meandros amorosos...
Tua pele, tuas mãos nervosas...
Com movimentos langorosos,
Compõem-me em notas maviosas.
Muitas vezes me tens perdida,
Na tua sanha misteriosa,
São teus beijos... ou mordidas,
Que me colhem tensa rosa.
Adivinhas-me tua amante...
Com risos, desse meu sem jeito,
Mas pousas, logo, num instante,
Lábios e mãos sobre meu peito.
Serena, tal lua em céu bordado,
Sob teus suspiros e gemidos,
Meu grito em lume arrebatado,
Ecoa em silêncios consumidos.
Minha sede em ti se sacia,
Minha alma em ti se revigora,
Das minhas noites de agonia,
Tu és a luz da minha aurora.

Lizete Abrahão

*****

para vc...beijos..Lali



- Postado por: Lali





Dá-me de comer da tua boca,
minha boca, tua língua, dentes,
lábios, saliva.
Dá-me de comer dos teus olhos,
meus olhos, água, cílio,
pálpebra, viva.
Dá-me de comer de ti,
disso em ti que sou eu
e és em mim,
tudo fundo agora sempre antes,
gigante, sem fim.
Dá-me de comer assim,
como quem morre e ressuscita,
além.

 

Dói em mim o que não esperava, essa manhã que se alonga, essa noite entrelaçada. Dóem em mim os vestígios do teu corpo, lágrima no canto do olho, resto de riso ao meu confundido, teus dedos finos misturados à minha carne, a voragem da tua língua. Dói em mim a luz imprecisa da madrugada, acordes da tua voz emaranhados aos meus cabelos, aderidos ao adormecer dos sentidos. Dóem em mim as tuas marcas difusas, os rastros da tua saliva, a imperfeição definitiva da tua chegada - dor invertida, contentamento denso, gozo secreto, felicidade nova e funda que não entendo, mas que me pertence, um pouco mais a cada dia.

 

Dá-me tua mão, pássaro e lâmina, sobre meus olhos escuro e medo, sobre minha pele rastro d’água, sobre meus seios ninho e animal faminto. Dá-me tua mão, entre meus lábios, vão da gengiva, fio dos dentes saliva e carícia, entre meus cabelos, emaranhado novelo, afago e rédea, arreios, seguro sobre meu dorso, jugo aflito e pleno. Dá-me tua mão, extremadura da carne, serpente e visgo, pelas frestas, ao fundo, lava quente da terra, em sobrevôo leve, pela mansidão os cimos mais frios. Dá-me tua mão, ao redor do pescoço, na medida da cintura, um pouco acima dos joelhos, dedos em busca de um perfume perdido, temperatura improvável. Dá-me tua mão, sossego e resgate, lança e laço, tua mão de morte, de parto, de flagelo, de encanto, dá-me a tua mão de flor e canela, de gosto amargo e encontro, desespero e descanso.

Ticcia
http://www.naodiscuto.com

para vc...de nós...de sua...



- Postado por: Lali





"Teu corpo de mar...
Meu mar infinito.
Renasço na fímbria do mar, do teu mar de sargaços,
no teu mar de desencontros e naufrágios
Renasço na tua boca de sal,
No teu cheiro a maresia,
Renasço em cada onda tua, envolta em grinaldas de espumas,
Em véus de saudade"
Maria Branco



"Foi luz e trevas, foi calor e frio, foi tudo e nada.
Encheu-me a consciência da minha insignificância,
De que nada posso e de que aquilo que quero não conta.
É hoje certeza de que o que possuo não é meu mas do destino.
E ontem, já só braseiro, alimentou-me a solidão,
Pois tu não estavas...
Ah, se os teus dedos pudessem limpar a fuligem dos meus olhos
E a tua boca varrer as cinzas que cobrem a minha,
Por baixo estaria um sorriso à tua espera
E sentir-me-ia compensada!
Vem! Depressa!"
Maria Branco



"Hoje quero ser escritora sobre o papel do teu corpo.
Vou te gravar na pele, em palavras, aquilo que de dentro me trazes
Para que, por absorção, regresse ao teu ser e jamais se perca
E este ciclo se mantenha eterno.
A caneta é esta boca que repete à exaustão o que me fazes sentir
E a tinta, indelével, é o amor que sinto por ti.
À medida que escrevo vou-te cobrindo de pétalas vermelhas
que esvoaçam ao encostar das nossas bocas, ao juntar dos nossos alentos em
uníssono..."
Maria Branco

bjus...LaLi



- Postado por: Lali





Modos de Amar, Maria Teresa Horta


Modo de amar – I

Lambe-me as seios
desmancha-me a loucura
usa-me as coxas
devasta-me o umbigo
abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros
e lentamente faz o que te digo:


Modo de amar – II

Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
a nuca a descoberto,
o corpo em movimento...
a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo...
Por-me-ás de borco;
Digo:
ajoelhada...
as pernas longas
firmadas no lençol...
e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome...
(Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)


Modo de amar – III

É bom nadar assim
em cima do teu corpo
enquanto tu mergulhas já dentro do meu
Ambos piscinas que a nado atravessamos
de costas tu meu amor
de bruços eu


Modo de amar – IV

Encostada de costas
ao teu peito
em leque as pernas
abertas
o ventre inclinado
ambos de pé
formando lentos gestos
as sombras brandas
tombadas no soalho


Modo de amar – V

Docemente amor
ainda docemente
o tacto é pouco
e curvo sob os lábios
e se um anel no corpo
é saliente
digamos que é da pedra
em que se rasga
Opala enorme
e morna
tão fremente
dália suposta
sob o calor da carne
lábios cedidos
de pétalas dormentes
Louca ametista
com odores de tarde
Avidamente amor
com desespero e calma
as mãos subindo
pela cintura dada
aos dedos puros
numa aridez de praia
que a curvam loucos até ao chão da sala
Ferozmente amor
com torpidez e raiva
as ancas descendo como cabras
tão estreitas e duras
que desarmam
a tepidez das minhas
que se abrem
E logo os ombros
descaem
e os cabelos
desfalecem as coxas que retomam
das tuas
o pecado
e o vencê-lo
em cada movimento em que se domam
Suavemente amor
agora velozmente
os rins suspensos
os pulsos
e as espáduas
o ventre erecto
enquanto vai crescendo
planta viva entre as minhas nádegas


Modo de amar – VI

Inclina os ombros
e deixa
que as minhas mãos avancem
na branda madeira
Na densa madeixa do teu ventre
Deixa
que te entreabra as pernas
docemente


Modo de amar – VII

Secreto o nó na curva
do meu espasmo
E o cume mais claro
dos joelhos
que desdobrados jorram dos espelhos
ou dos teus ombros os meus:
flancos
na luz de maio


Modo de amar – VIII

Que macias as pernas
na penumbra
e as ancas
subidas
nos dedos que as desviam
Entreabro devagar
a fenda – o fundo
a febre
dos meus lábios
e a tua língua
Vagarosa:
toma – morde
lambe
essa humidade esguia


Modo de amar – IX

Enlaçam as pernas
as pernas
e as ancas
o ar estagnado
que se estende
no quarto
As pernas que se deitam
ao comprido
sob as pernas
E sobre as pernas vencem o gemido
Flor nascida no vagar do quarto


Modo de amar – X

A praia da memória
a sulcos feita
a partir da cintura:
a boca
os ombros
na tua mansa língua que caminha
a abrir-me devagar
a pouco e pouco
Globo onde a sede
se eterniza
Piscina onde o tempo se desmancha
a anca repousada
que inclinas
as pernas retezadas que levantas
E logo
são os dentes que limitam
mas logo
estão os labios que adormentam
no quente retomar de uma saliva
que me penetra em vácuo
até ao ventre
o vínculo do vento
a vastidão do tempo
o vício dos dedos
no cabelo
E o rigor dos corpos
que já esquece
na mais lenta maneira de vencê-los


Modo de amar – XI

((Teu) Baixo ventre)
Nunca adormece a boca no
teu peito
a minha boca no teu baixo
ventre
a beber devagar o que é
desfeito


Modo de amar – XII

(Os testículos)
Tenho nas mãos
teus testículos
e a boca já tão perto
que deles te sinto
o vício
num gosto de vinho aberto


Modo de amar – XIII

(As pedras – As pernas)
São as pedras
meus seios
São as pernas
pele e brandura
no interior dos
lábios
rosa de leite
que sobe devagar
na doce pedra
do muco dos meus lábios
São as pedras
meus seios
São as pernas
Pêssegos nus corpo
descascados
Saliva acesa
que a língua vai cedendo
o gozo em cima...
na pedra dos meus
lábios
Jogo do corpo
a roçar o tempo
que já passado só se de memória,
a mão dolente
como quem masturba entre os joelhos...
uma longa história...
Estrada ocupada
onde se vislumbra
(joelhos desviados na almofada )
assim aberta o fim de que desfruta
o fruto do odor
o fundo todo
do corpo já fechado.


Modo de amar – XIV

(As rosas nos joelhos)
São grinaldas de rosas
à roda
dos joelhos
O âmbar dos teus dentes
nos sentidos
O templo da boca
no côncavo do espelho
onde o meu corpo espia
os teus gemidos
É o gomo depois...
e em seguida a polpa...
o penetrar do dedo...
O punho do punhal
que na carne enterras
docemente
como quem adormenta
o que é fatal
É a urze debaixo
e o fogo que acalenta
o peixe
que desliza no umbigo
piscina funda
na boca mais sedenta bordada a cuspo
na pele do umbigo
E se desdigo a febre
dos teus olhos
logo me entrego à febre
do teu ventre
que vai vencendo
as rosas – os escolhos
à roda dos joelhos, docemente.


Modo de amar – XV

(A boca – A rosa)
Entreabre-se a boca
na saliva da rosa
no raso da fenda
na fissura das pernas
Entreabre-se a rosa
na boca que descerra
no topo do corpo
a rosa entreaberta
E prolonga-se a haste
a língua na fissura
na boca da rosa
na caverna das pernas
que aí se entre-curva
se afunda
se perde
se entreabre a rosa
entre a boca
das pétalas




- Postado por: Lali





Concierto a puertas cerradas
Tomás Castro 

Con estas manos hechas para ti
quiero
uno a uno tocar
los instrumentos de tu cuerpo al palparte
me salen tonos
partituras
música en fin
de todas partes se precisa un golpe
de batuta
para tocarte sin desafinar estás llena de violines
en ti los pájaros ensayan
sus últimas canciones
en ti debuta una alta fidelidad
que termina
entre mis dedos
haciéndote fraterna amo tus instrumentos
cuando me inundas de sonidos
cuando tu cuerpo me nombra
el músico más grande que nadie se sienta herido
– ni bach ni beethoven
ni los trompetistas del juicio final – eres un concierto
que sólo yo puedo tocar.

 

Segredos

Vou murmurar-te ao ouvido
O que farei com o teu corpo
Estendido numa cama à minha mercê.
Dir-te-ei como te beijarei os lábios
Como te morderei a língua
Como te lamberei o pescoço
E descerei no teu corpo
Até chegar ás tuas coxas.
Contar-te-ei num suspiro
Como te afastarei as pernas
E as tocarei por dentro
E me aproximarei devagar
Do teu sexo que me aguarda.
Desejarás então acelerar o tempo
Para que chegue depressa o momento
Que a minha voz te segreda
Que a minha voz te sussurra.
(Encandescente)


 
No arame

Equilibro-te na minha boca,
Percorro-te,
E num equilíbrio precário
Tentas não cair e não te esvair
Na minha boca
Em prazer.
Prendo-te com saliva
Quando contrais o corpo,
Quando arquejante vacilas
Quase no limite,
Para que não caias
Para que não te esvaias
Para te manter, assim,
No prazer suspenso.
Mas quando te sorvo e quando te mordo
Quando estico o arame
Que é a minha boca
Que caminha em ti,
Perdes o equilíbrio e num grito rouco
Cais nas minhas mãos,
Rede que construí
Rede que teci
Para aparar a queda e te segurar
Para te guardar e reter em mim.
(Encandescente)


 
Elementos
 

És vento que agita o meu corpo
Quando o fazes ondular
Me encrespas a pele
A marcas e te assinalas
Em rugas de prazer.
És fogo que progride
Quando me abraças e abrasas
Me incendeias
E me tornas labareda
Brasa incandescente, fogueira a arder.
És água quando o suor brota
E as gotas se tornam mar
E me molham e te molham
E nos colam um no outro
Água prazer que sai de dentro
Mas que não apaga o fogo
Que tu,
Labareda que se espalha com o vento
Acendeste na minha pele.
E eu sou terra
Que queimas e assolas
Que varres e devastas
E depois
Tu rio, nela desaguas
Semeias, fazes renascer.
(Encandescente)

....beijos...LaLi



- Postado por: Lali





  Você derrapa em minhas curvas,
  Se perde no brilho dos meus olhos.
  Eu quero você corsário a perseguir meus segredos
  Você fica a espera do meu chamado,
  Eu não quero te chamar, quero ser possuída pelo seu desejo.
  As palavras mais uma vez, matam o desejo.

  Kyra

 

  Vou derreter em sua boca,
  Como um bom chocolate.
  Posso ser doce,
  Meio amargo,
  Picante se for com pimenta,
  Recheada de surpresas.
  Venha sentir minhas delícias,
  Me fazer gemer baixinho
  E quando estiver saciado de minhas
  Várias nuances de sabor
  Deixarei em sua lembrança
  O gostinho de quero mais!

  Kyra

 

  Este desconhecido,
  Mexeu com minha alma.
  Acordou a paixão adormecida,
  Acendeu o fogo, que julguei apagado.
  Descontrolou o que era controlado.
  Inundou-me de quereres,
  sonhar com o por do sol.
  Quero me desmontar
  Entregar-me aos desejos
  Despentear seus cabelos
  Perder-me em seus braços
  Incendiar minha alma
  Ser tua.
  
  Kyra 

  Palavras ao Vento

  uma linda semana para vcs...beijoss



- Postado por: Lali





Encarnada

Tânia Lima

Sinto que poderia extrair de minha alma sua essência.

É que alma assim escancarada,
Brilhante feito purpurina
(Dessas que parecem maiores do que seus registros),
Levam a crer que podem ser torcidas
Para que, gota a gota,
Se extraia delas a sabedoria.

É que meu corpo, este pobre coitado,
Está nela contido
(Quando deveria ser o contrário)
E é por ela arrastado,
Levado a seguir sem arbítrio,
A viver a história apaixonada
Pendente, de outras vidas.

Alma autoritária esta minha!
Governa, ordena, fala o que quer,
Se contradiz.
E o meu corpo...
Encantado e subserviente,
Sob o jugo de uma alma essencialmente feliz.

Sim, poderia extrair de minha alma a essência
E vendê-la em pequenos e delicados frascos encarnados:
"Poção de Felicidade".

Luz

Tânia Lima

Deixarei acesa uma pequena chama...
Estará em minha cabeceira
Apenas um tênue brilho...
Simples assim...
Pois que, na escuridão da noite,
Temo não encontres o caminho...
Adormeço assim...
Bruxuleante.
Receosa de que teu espírito
Se perca em outros sonhos
E não me encontre.
Então me cubro com a luz que dança
E invoco sua magia...
Estarás preso a mim nesta madrugada
Como o pavio na vela que fito...
Assim, entre o profano e o divino,
Faço de ti minha crença.
Estremeço...
Banhada de cera quente
A deslizar por meu corpo...
A derreter-me...
Escorrendo em mim
Tua presença.
Adormeço

Plenitude

Tânia Lima

Ando tão repleta de mim!
Quisera dividir com outras pessoas
este esplendor que me habita a alma.

Mas, ao tentar fazê-lo,
O que divido é pouco.
E digo a mim mesma:
"Calma...calma!".

Este coração borbulhante de amor...
O que consigo passar?!
Apenas um carinho meloso e excessivo,
Um arremedo do que me toma o peito.

Quisera deixar transbordar um pouco da ternura,
De toda esta que me sufoca;
Deste destempero de emoções alucinantes;
Deste desvario de arrepios que me percorrem a espinha.

Mas, ao tentar fazê-lo,
O que transborda é um fio d¿água,
Comparado ao caudaloso rio de sentimentos.

Como fazer para despejar de mim esta gigantesca onda de lava,
Esta força que me torna ardente,
Esta labareda que me inflama
E que me atiça inteira?!

Ao tentar fazê-lo,
Uma marola brota de mim
E respinga apenas fagulhas
Do que me queima por dentro.

Quisera sim
Dividir esta plenitude,
Este êxtase de espírito,
Este pedaço de mulher incandescente...
Quisera ter o poder de doar mais
Deste mel que corre em minhas veias.

Então vou me derretendo aos poucos...
Vou espalhando minhas risadas,
Deixando pelo caminho meus conselhos,
Minhas palavras adocicadas,
Minha "melosidade"....
Vou permitindo que enxerguem um pouquinho meu avesso,
Vou tropeçando em meus chamegos,
Deixando vislumbrar esta adolescência retardada...
Vou me doando, transbordando meus cuidados.

E esta plenitude...
Ah...esta, só consigo dividir com meu amado.

***

amo esse blog...é da Tânia Lima..visitem é lindo!!

http://www.aflordapele.blogger.com.br/

beijos e lindo final de semana....



- Postado por: Lali





Sempre, de vez em quando

Leila Míccolis

Toda vez que amanheço
de porre, sem ter bebido,
é prenuncio de tempestades.
Os calos não doem
com a mudança do tempo,
mas meu coração dispara
e o olfato fica mais aguçado
que faro de perdigueiro.
Nestas horas,
não adianta ninguém me dizer
que "viver é experimentar",
porque o máximo que eu consigo
é avaliar as avarias
causadas pelos arpões.

Desejo
 
Stela Fonseca

Diante de mim
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.

Aqui me encontrarás

Salette Tavares
 
Aqui me encontrarás
dormindo-me silêncio
no fumo que os telhados
perfumam de pinheiro,
aqui me encontrarás
e a lua no meu ombro
vermelha do ardor
meu sangue companheiro.
Eco que eu sou
na morte de uma era
aninham os meus braços
outonos de fulgores
e os pássaros da noite
em seus olhos de espera
escutam o arfar
do perfume das cores.
Aqui me encontrarás
floresta de vermelho
segredo de vulcão
zumbindo-me no peito
aqui me encontrarás
quente fornalha de espelho
brasa amarela de vida
sol da cor com que me enfeito.
Minha forma uma montanha
de seios que a lua aquece
meus braços caminhos de água
por toda a serra a descer
recorta-me a tarde morta
perfil que o céu enlouquece
rumor remanso de frágua
brilho lunar a correr.
Prata de frio entornada,
carreiro meu sangue d´albas
esplendor de muro húmido
em leques de fetos verdes
langores de musgo veludo
em sombra de plantas malvas
em ti me sei e me escuto,
em ti me escorro e me bebo.
Aqui me encontrarás tão de longe navegada
afago de ares anjos
no oceano de uma asa
nesta terra em que me mostro
aqui de além coroada
sou água que a chuva traz
à sua primeira casa.



- Postado por: Lali





Saudade…

Tantas vezes, a sinto!
Saudade de tocar o teu cabelo
Saudade do teu olhar de “menino” doce
Saudade das tuas mãos suaves, que tocam o meu rosto
Saudade do teu cheiro que me embriaga
Saudade da tua pele macia que me aquece e contagia
Saudade do teu respirar, junto ao meu ouvido
Saudade do teu abraço forte... meu porto de abrigo
Saudade do teu afago no meu cabelo
Saudade dos teus lábios (encaixe perfeito dos meus)
Saudade do teu coração em louco desvario
Saudade da tua protecção, do teu carinho
Saudade do teu sussurrar, como melodia que me embala
Saudade de ti…que num beijo teu, me cala…

Saudade…


(Lúcia Machado)

Busco a razão nítida de ti
No mais intimo de mim
É o teu nome que me desperta
No silêncio que me embala
Nos braços da noite…
As palavras revelam-se à luz da Lua
Acariciando os sonhos que despem todas as verdades

E no teu peito repouso
É o teu coração, que acalma o meu desespero
E todos os teus gestos confessam o teu amor…
É nele que me deito
Entre o sentir do teu beijo,
Caminho que me leva, na cumplicidade do desejo

Desvendo-me às palavras surdas dos teus silêncios
Na imprecisão do que julgo saber

(Lúcia Machado)


Nas linhas perfeitas do teu rosto
A linguagem jamais expressa
Onde as minhas mãos alcançam
O sussurro do teu olhar incontido

E na tua boca…
Resta-me o abrigo, dos meus lábios órfãos
Procurando o agasalho deste tempo
Que me consome a serenidade
É somente minha, a febre imensa que lateja
Na alma que arde sob um coração que flameja

(Lúcia Machado)

http://luciamachado31.blogspot.com/

visitem..leiam..vcs vão gostar..linda noite e lindo final de semana...Lali..bjus..



- Postado por: Lali
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            Doçura

            Nas linhas da minha fantasia
            desenho milimetricamente teu corpo
            percorrendo cada canto
            cada encanto
            e sinto em mim refletido
            o teu contato aglutinado
            que joga na pele
            o cheiro do afago
            e deixa a boca salivando
            desejos e sabores

            Louise Tommasi

           

            Sentido

            Você calou a boca
            da tua literatura em mim
            e todos os meus dizeres
            perderam o sentido
            e a boba mania de esticar sentimentos
            e derramar tinta
            nas coisas desbotadas do mundo
            Então, escureci

            Louise Tommasi

            

            Aos tropeços


            Entre goles, afagos e lampejos de paixão
            Meu corpo inebriado reclama o teu
            Disperso do caminho que tracei
            Alojado e surdo aos apelos do que me é premente.
            A boca entreaberta soletra teu nome
            Que passeia sem rédeas no meu sentir
            Os olhos plasmam formas e cores
            Da tua imagem desenhada nas curvas do meu desejo
            Te quero por inteiro,
            Na urgência da pele febricitada.
            Te quero me tocando qualquer nota,
            Na capela da tua boca salivando prazer.
            Te quero sem estar subordinada ao nada
            Que se deita entre nós
            E paralisa o meu movimento cadenciado
            Te quero na totalidade do meu querer,
            Às vezes confuso e dividido,
            Às vezes soberano e devastador.
            Milímetros nos impedem o toque
            O roçar de corpos
            O engolir de bocas
            Que gritam e se espatifam
            Nos impedimentos
            Nos fragmentos
            Que o destino
            Nos impõe...
            momentaneamente.

            Louise Tommasi

           

            Um beijo....lindo final de semana....LaLi

           



- Postado por: Lali
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  Serei Mulher

 
  Serei anjo descido do pedestral
  largando as asas brancas
  Macias, castas e ramificadas num céu
  Para cairem no chão estático e racional
  Deixarei o paraíso para ser mulher
  Feliz, sentida, amada ou sofrida... não importa.
  Serei mulher para sentir o contorno do teu corpo
  O sopro do suspiro que confessas
  O risco que abraças e enlaças em mim
  Serei anjo descido do pedestral
  Caminharei na tua direcção
  Tomarei no coração as dores do mundo
  Para as gritar
  Libertar, aconchegar... e perdoar.
  Serei anjo descido no céu
  E serei mulher só para ti


  Ana
 
http://avalonana.blogspot.com

  

    Sonhos de névoa


    Acordo com o sabor da noite nos lábios
    vejo-me gata em telhado de zinco quente
    ainda no reflexo da manhã em desalinho
    desenho um rectângulo em branco no meu espelho
    onde te desejo igual a mim
    Com o dedo desenho no vidro
    o contorno do meu corpo
    com os lábios em surdina te nomeio
    o reflexo brilhante devolve-me o desejo
    surdo.. mudo.
    Preciso de uma fotografia tua
    Preciso das palavras feitas de sombras e linhas.
    Faço então a viagem necessária até à tua janela,
    com o rio ao fundo
    onde posas vaidosa.
    Na tua janela
    onde me despes lentamente
    onde beijas de olhos abertos o desenho
    dos meu contornos
    onde beijas de olhos claros
    o gemido das minha cores.
    Na tua janela
    Recriamos o amor dos corpos reconhecidos
    Reinventamos os sons do comboio aqui tão perto
    Saboreamos os dias perdidos…
    E enchemo-nos de azul….
    Com o rio ao fundo.
    Lá ao fundo….
    da tua janela


    por LolaViola
   
http://levementerotico.blogspot.com/

 

  Princípio
  
  E ele nu na lividez dos lençóis
  Completamente nu
  Despudoradamente nu.
  E ela reverente ante a nudez
  Venerando-o
  Contemplativa
  Sôfrega de pele
  Gulosa de corpo.
  Falou-lhe numa língua feita de gestos
  Cheiros e sabores.
  E a língua era a língua que falava
  E a língua era língua que criava
  E despertava novas palavras
  Novos odores
  Novos cheiros
  Novos sabores.
  E ele quieto de tão vivo
  Quieto de tão atento
  Ansioso de ouvir
  Ávido de saber.
  Despudoradamente nu
  Deslumbrantemente corpo.
  Beijou dele o nome antes de o beijar
  Enrolou-o na boca
  E deu-lho.
  E dando-lhe o nome tornou-o eterno
  Nova palavra
  Novo verbo
  Razão
  E princípio.


  ... de Encandescente

Um lindo domingo e linda semana...bjus



- Postado por: Lali





Se a noite fosse uma mulher...

...deveria ser sempre quente e húmida.

Se a mulher fosse como a noite
Deveria ser sempre misteriosa e envolvente
Negra mas luminosa
Deveria flutuar em vez de andar
Ser insinuante sem ser sinuosa...

 por mad


O amor...


A noite nasce com todos os seus cheiros.
A humidade no ar cria um manto que me envolve e acaricia a pele.
São estas gotas no ar que me trazem o teu cheiro.
O cheiro da Lua.
Gotas de mil cores que emanam o aroma do elixir da vida.
O néctar da paixão que escorre sempre que a noite e a lua se juntam.
É na noite que os amantes se entregam.
É na noite que a paixão é fiel aos corpos.
É na noite que os desejos se concretizam.
Quando cada estrela é sinal do amor que brota em cada gemido.
Corpos dourados pela luz do fogo, suados, colados, formando um só.
Numa valsa de erotismo e sensualidade.
Este amor é tudo quanto existe debaixo do ceu e para além das estrelas.

Reload

por mad


Antítese


Quero ter-te e não te ter
Amar-te sem ser amada
Saber-me amada mas nada sentir
Quero que me odeies para por ti lutar
Quero que me ames e que nos teus beijos mo digas
Quero que vivas para mim e por mim
Quero que esqueças que eu existo para que assim sinta dor
Quero que repitas o meu nome sempre e que me sussurres o quanto me amas
Sabes amor…
Estás-me sempre na pele, na mente, até no andar e no dormir
Gosto de sentir saudades tuas mas é tão bom ter-te aqui sempre junto a mim
Os antagonismos do sentir são ondas e marés vivas nas minhas veias: dão vida, luz e paixão.

http://www.aliciante.eu/aliciante/?redirect=weblog_com

adoro os escritos de Mad...beijos para vc...



- Postado por: Lali
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Guarda-me

Encandescente

      Estende a tua mão
      Toca a minha que a procura
      E devagar, com cuidado
      Para que nada se perca
      Deposita um a um
      Os teus sonhos
      Os teus medos
      Aqui
      Na palma da minha mão.
      Depois fecha-ma devagar
      Cerra-me os dedos
      Aperta-os
      E diz:
      Guarda-os
      Guarda-me
      Não me percas
      Não nos percas meu amor

       

Volúpia

Florbela Espanca


No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

 beijos..lindos dias para vc...



- Postado por: Lali





É esquisito que teu nome sempre me soe uma prece,
uma invocação sagrada e solene, que contém em si um segredo
místico viajando pelo tempo, como se trouxesse consigo o desejo
implícito dessa maneira única com que moves as mãos, com que
abres a boca, com que recostas teu corpo, com que deixas o riso
fugir pelos olhos. É estranho que teu nome sempre me soe uma promessa
e um dom, como se bastasse pronunciá-lo para que a vida abra
uma porta secreta, para que se insinue um milagre prestes a ser,
eu assim em ti, simplesmente em teu nome. (Ticcia)

Porque eu já quase te posso tocar, porque em mim
há algo que pressente o que em ti aos poucos se
configura e se avizinha, porque em tudo há um tanto de
felicidade implícita de véspera, um formigar secreto de
ânsia e desejo, como se aos poucos o mundo estivesse
prestes a apoderar-se da ordem perfeita das coisas.
E eu sorrio e temo, pequena e frágil inseta. E eu festejo e
prenuncio, insana sacerdotisa do incerto. E eu delinqüesço e calo,
fêmea úmida de marés e cios. E eu preparo língua em lâmina
e pétala na forja crua da carne, na rútila fluidez do sonho. (Ticcia)

Haverá uma hora qualquer em que tu, entre o seio e a mão,
me doerás menos. Talvez haverá mesmo uma hora qualquer
em que tu não haverás mais de me doer, em que eu poderei
sorrir descalça sobre as lembranças que irão perdendo o gume
no rolar no tempo, uma hora na qual a mim será permitido
encontrar-te sem que meu corpo se reconfigure ao redor do teu
e minha pele não seja toda um livro de memórias. Quem sabe
nessa hora, já livre dos arpões, eu não tenha mais nos olhos o perfume
oco dos meus vazios e entre o seio e a mão possa florescer uma asa fugidia.

(Ticcia)



- Postado por: Lali
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Tu lengua,
pececillo inquieto en mi rostro.
Tu boca,
ostra que juega con mis labios.
Tu piel,
arena ardiente sobre mi cuerpo todo.
Tu voz,
canto de sirena que me llama y espera.
Mi piel y mi alma responden
pero tú, sirena mía,
te esfumas con el sol
al bajar la marea.

Amparo Gimenez

Após o banho, nua

Após o banho, nua
ainda, o corpo húmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entrevistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.

Rabi Khan



- Postado por: Lali
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